Cafeína: como ela realmente afeta a sua saúde

Quando acordamos pela manhã, muitos de nós bebem uma xícara de café para começar o dia. De acordo com a Organização Internacional do Café, aproximadamente 1,6 bilhões de xícaras de café são consumidas no mundo diariamente.

O Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos diz que o montante médio de cafeína consumido no país é de aproximadamente 300 mg por pessoa por dia – o equivalente a entre duas a quatro xícaras de café. Esse é considerado um consumo moderado de cafeína, o que, de acordo com muitos estudos, pode promover uma série de benefícios para a saúde.

Mas alguns estudos defendem outra posição, sugerindo até mesmo que uma ou duas xícaras de café por dia podem impactar negativamente sua saúde. Então, no que acreditar?

Nós analisamos os benefícios potenciais para a saúde, assim como os efeitos colaterais negativos do consumo de cafeína.

Um estimulante natural

O ingrediente principal no café é a cafeína – um componente que é naturalmente derivado de mais de 60 origens diferentes de plantas, incluindo grãos de café, folhas de chá, sementes de cacau e sementes de noz de cola. A cafeína age como um estimulante, ativando o sistema nervoso central. Ela pode combater o cansaço e melhorar a concentração e o foco.

De acordo com o Serviço de Saúde da Universidade de Michigan, os efeitos estimulantes da cafeína podem começar a partir de 15 minutos depois do consumo e durar até seis horas. Além do café, a cafeína é comumente consumida por meio de chás, refrigerantes, bebidas energéticas e chocolate. Ela também é encontrada em algumas drogas que podem ser compradas com receita ou sem receita, tais como medicamentos para gripe, alergia ou para a dor.

Benefícios potenciais para a saúde

Assim como seus efeitos estimulantes, a cafeína acabou ficando conhecida por uma variedade de benefícios para a saúde. Alguns estudos sugeriram que beber de três a quatro xícaras de café por dia pode reduzir o risco de câncer no fígado, na boca e na garganta. No ano passado, o Medical News Today destacou um estudo que sugeria que consumir três xícaras de café por dia pode reduzir o risco de câncer de fígado em até 50%, enquanto um outro estudo sugere que beber quatro xícaras por dia pode reduzir pela metade o risco de câncer de boca e de garganta.

O consumo de café também foi associado a efeitos positivos no cérebro

No ano passado, um estudo da Escola de Saúde Pública de Harvard sugeriu que beber entre duas a quatro xícaras de café por dia pode reduzir o risco de suicídio em adultos, e pesquisas mais recentes descobriram que ingerir 200 mg de café por dia pode melhorar a memória de longo prazo. Outros estudos também sugeriram que o consumo de cafeína pode proteger de doenças como diabetes tipo 2, mal de Parkinson, doenças cardiovasculares e derrames.

Cafeína: “a droga psicoativa socialmente aceitável”

Com tanta pesquisa afirmando que o consumo de cafeína pode beneficiar sua saúde, e considerando o número de produtos que contêm o estimulante, não é nenhuma surpresa que o consumo de cafeína seja tão comum. Mas Seteven E. Meredith, pesquisador pós-doutoral na Escola de Medicina da Universidade John Hopkins, disse ao Medical News Today que, talvez devido ao fato de o consumo ser tão comum, muitos de nós esquecem que a cafeína é uma substância psicoativa – uma droga que atravessa fronteiras sanguíneas para estimular o sistema nervoso central.

Ele disse: “Diferentemente da maioria das substâncias psicoativas, a cafeína é aceitável socialmente, e a droga é comumente utilizada. Na verdade, a cafeína é a substância psicoativa mais comumente utilizada no mundo. Além disso, a vasta maioria dos consumidores de cafeína usam a substância com regularidade, sem prejuízo aparente. Esses fatores tendem a contribuir para a perspectiva de que a cafeína é uma substância benigna, que todas as pessoas podem usar sem sofrer nenhuma conseqüência negativa”.

Os efeitos negativos do consumo de cafeína

Mas é claro, existem consequências negativas do consumo da cafeína, especialmente se ingerida em grandes doses. A Clínica Mayo afirma que consumir mais do que 500 a 600 mg de cafeína por dia pode provocar insônia, nervosismo, inquietação, irritabilidade, estômago irritável, aceleração cardíaca e até mesmo tremores musculares. No entanto, pesquisas prévias relacionaram montantes até mesmo moderados de cafeína a consequências negativas na saúde.

No ano passado, o Medical News Today relatou um estudo sugerindo que consumir 300 mg de cafeína por dia durante a gravidez pode aumentar o risco de os bebês nascerem com peso baixo, enquanto que outras pesquisas sugerem que beber quatro xícaras de café por dia pode aumentar o risco de morte precoce.

Efeitos da cafeína variam de pessoa para pessoa

Mas Meredith disse que os efeitos da cafeína podem variar de acordo com cada indivíduo, o que pode explicar porque há ideias divergentes acerca de se a cafeína é boa ou ruim para nós. Por exemplo, ele disse que indivíduos com distúrbios de ansiedade são mais susceptíveis aos efeitos ansiogênicos do composto. “A cafeína também pode ser metabolizada de acordo com cada indivíduo por várias razões. Por exemplo, fumantes de cigarro metabolizam a cafeína duas vezes mais rápido do que não fumantes”, ele acrescentou. “No entanto, o processo metabólico da cafeína é mais devagar entre crianças, mulheres grávidas e indivíduos com doenças do fígado. Além disso, alguns remédios diminuem o ritmo metabólico da cafeína, o que pode aumentar o risco de intoxicação. Mas os efeitos da cafeína também variam simplesmente porque nós somos todos diferentes”.

Rob. M. Van Dam, professor adjunto associado do Departamento de Nutrição na Escola de Saúde Pública de Harvard, disse ao Medical News Today que os efeitos da cafeína dependem das características genéticas de cada pessoa e de seus estilos de vida. “Então, algumas pessoas podem ter dificuldade de dormir ou experimentar tremores ou stress com consumo relativamente pequeno de cafeína, e é útil estarmos alertas a esses sintomas e reduzir o consumo de cafeína se eles ocorrerem”, ele acrescentou.

Dependência de cafeína e abstinência

Dados os efeitos positivos que a cafeína pode ter como estimulante, Meredith disse que, para algumas pessoas, eles podem resultar em dependência: “a cafeína ativa muitos dos mecanismos comportamentais e neurofarmacológicos que são ativados por outros fatores que reforçam o comportamento, como drogas de abuso. E, assim como outros fatores que o reforçam, a cafeína está associada a vários efeitos subjetivos positivos como maior bem-estar, sociabilidade, e sensação de energia e de alerta. Por essa razão e outras, uma porcentagem pequena da população desenvolve distúrbio de uso da cafeína”.

Ele disse que algumas pessoas podem se tornar psicologicamente dependentes da cafeína, e a redução do consumo de café desses indivíduos pode levar a sintomas de abstinência. Isso pode desencadear sintomas como dor de cabeça, fadiga, mal estar, depressão, irritabilidade, dificuldades de concentração, náusea e vômito. “A dependência pode se tornar tão forte para alguns indivíduos que eles se tornam incapazes de reduzir seu consumo, apesar do conhecimento de que existem problemas recorrentes físicos e psicológicos associados ao uso contínuo”, Meredith acrescentou.

Meredith disse que, baseado nos efeitos negativos que o consumo de cafeína pode causar, os médicos deveriam discutir o uso da cafeína com os pacientes para determinar se eles estão ingerindo níveis saudáveis do estimulante. Além disso, ele adverte que isso é particularmente importante para crianças e adolescentes. Pediatras recomendam que as crianças deveriam ficar longe da cafeína, freqüentemente encontrada em refrigerantes. A maioria deles recomenda que as crianças evitem o consumo de cafeína, especialmente já que não se sabe como o consumo excessivo de cafeína impacta o desenvolvimento do cérebro.

“É notável que a cafeína interfere com o sono, e o sono tem um papel crítico no aprendizado. Algumas pesquisas de laboratório sugerem que a cafeína interfere com o sono e o aprendizado entre os adolescentes, o que, por outro lado, prejudica o desenvolvimento neurológico normal”, disse Meredith. “Alguns psicólogos também estão preocupados que um padrão do uso de cafeína ou abuso entre jovens pode levar a subsequente uso problemático de drogas e de álcool”.

O FDA tem uma posição similar à dos pediatras. Em maio do ano passado, a organização anunciou que ia investigar a cafeína dos produtos alimentícios, especialmente produtos voltados para crianças e adolescentes. O FDA está preocupado, pois muitos produtos alimentícios e bebidas, tais como balas, waffles e chicletes, agora têm cafeína adicionada para aumentar seu efeito estimulante.

Michael R. Taylor, do FDA, disse: “Nós estamos particularmente preocupados com crianças e adolescentes, e a responsabilidade do FDA e da indústria dos alimentos é de proteger a saúde pública e respeitar as normais sociais que sugerem que nós não deveríamos fazer propaganda de estimulantes, como cafeína, para nossas crianças”.

Meredith disse que os estudos têm mostrado que o consumo alto de cafeína também pode produzir efeitos negativos colaterais em mulheres grávidas e indivíduos com doenças cardíacas ou distúrbios de ansiedade. No entanto ele acrescentou que a maioria de nós consome cafeína com moderação sem efeitos colaterais prejudiciais, então adultos saudáveis não deveriam ficar excessivamente preocupados. “Mas nós deveríamos ter em mente que quando nós consumimos cafeína, nós estamos consumindo uma substância psicoativa que pode causar ou exacerbar alguns problemas de saúde”, ele avisou.
Autor: Honor Whiteman
OBID Fonte: Traduzido e adaptado de Medical News Today