Pediatras intensificam campanhas de prevenção e combate ao uso de álcool, tabaco e drogas ilícitas

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Com todas estas estatísticas, não é mais possível permanecer passivo assistindo o perigo cada vez mais próximo de crianças e adolescentes

Mais de 6 milhões de usuários de tabaco morrem ao dia em todo o mundo. No Brasil, cerca de 10% da população é fumante. O consumo de álcool e drogas ilícitas também ocupa lugar de destaque na imprensa: a ingestão de bebidas alcoólicas cresceu 31,1% no Brasil em seis anos, e já somos o maior mercado mundial de crack.

Com todas estas estatísticas, não é mais possível permanecer passivo assistindo o perigo cada vez mais próximo de crianças e adolescentes. Para a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), profissionais de saúde podem e devem fazer frente a esta preocupante realidade.

Segundo o dr. João Coriolano Rego Barros, segundo vice-presidente da SPSP e coordenador do Grupo de Prevenção e Combate ao Uso de Álcool, Tabaco e Drogas por Crianças e Adolescentes, o primeiro grande passo dessa luta é envolver o maior número de profissionais ligados aos cuidados de crianças e adolescentes, oferecendo a eles conhecimentos e atualização profissional suficientes para se aprofundar nesse luta.

Um dos projetos da SPSP com este propósito inclui a criação de um grupo de estudo voltado ao aprofundamento dos conhecimentos relativos às causas e consequências do uso de álcool, tabaco e drogas ilícitas.

“É preciso oferecer mais informações aos especialistas sobre este assunto, pois esse conhecimento não faz parte da formação geral do pediatra. Este fato acaba dificultando o reconhecimento do problema durante uma consulta rotineira. Com o devido treinamento, será possível orientar os pediatras sobre a correta abordagem do assunto junto à criança, adolescente e família, reconhecendo o eventual uso de algum destas substâncias”, explica.

Diversos departamentos científicos da Sociedade já vêm sendo convidados a participar deste projeto, como os de Adolescência, Bioética, Emergências, Neonatologia, Pediatria Ambulatorial e Cuidados Primários, Pediatria Legal, Saúde Escolar, Saúde Mental e Segurança da Criança e do Adolescente, além da Diretoria de Relações Comunitárias.

Iniciativas de sucesso
Já estão instaladas no país diversas campanhas e projetos em prol da conscientização e combate ao uso de drogas e álcool, especialmente entre os mais jovens.

Um deles é o Programa Educacional de Resistência às Drogas – PROERD, uma adaptação brasileira do programa norte-americano Drug Abuse Resistence Education (DARE), surgido em 1983.

O programa brasileiro foi implantado em 1992, pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, e hoje leva policiais militares às salas de aula de escolas públicas e privadas, para orientação e esclarecimento de dúvidas das crianças. Como resultado, um alto índice de satisfação entre alunos, pais e professores.

Este tipo de iniciativa é uma grande aliada no combate a tais substancias e deve ser incentivada, afirma o dr. Coriolano.

Prevenção
De acordo com o dr. Mário Roberto Hirschheimer, presidente da SPSP, como para qualquer doença, a prevenção é a melhor abordagem. Isso inclui o uso de álcool, tabaco e drogas.

“Procurar identificar os fatores predisponentes a esse agravo é um dos grandes desafios desse grupo, visando desenvolver ações e campanhas, com comprometimento dos profissionais que atuam com crianças e adolescentes e das famílias, antes que o mal ocorra.”

Alguns destes fatores estão sendo identificados, como o uso de álcool e drogas durante a gestação, a interrupção precoce do aleitamento materno e o enfraquecimento dos papéis e valores familiares de dar afeto, carinho e atenção que resulta em negligência no cuidar, educar e civilizar os filhos, explica o especialista.

“Também pretendemos estabelecer parcerias com Universidades, Secretarias e afins do Governo do Estado e dos Municípios, Ministério Público e Coordenadoria da Infância e Juventude da Justiça, buscando trilhar um caminho conjunto”, revela o dr. Coriolano.

“Projetos como este não são colocados em prática se não houver a união de diversas instituições. Assim, também buscamos colaboração e apoio de diversos setores da sociedade civil organizada para agregar valor à nossa causa, por meio da união de esforços.”
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)