Exposição pré-natal à nicotina pode desencadear TDAH em futuras gerações

Os professores Pradeep G. Bhide e Jinmin Zhu encontraram evidências de que o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) associado à nicotina pode ser transmitido através de gerações. Em outras palavras, o TDAH do seu filho pode ser um problema de saúde induzido pelo ambiente, herdado de sua avó, que pode ter fumado cigarros durante a gravidez muito tempo atrás. E o fato de que você nunca fumou pode ser irrelevante para o TDAH do seu filho.

As descobertas dos pesquisadores foram publicados na edição atual do The Jorunal of Neuroscience.

“O que a nossa pesquisa e a pesquisa de outras pessoas têm mostrado é que algumas das mudanças no genoma – sejam elas induzidas pelas drogas ou pela experiência – podem ser permanentes e serão transmitidas para as gerações futuras”, disse Bhide, chefe de neurociência do desenvolvimento e diretor do Centro para Reparos do Cérebro na Escola de Medicina.

Bhide e Zhu, professor assistente de ciências biomédicas, usaram um rato como modelo para testar a hipótese de que a hiperatividade induzida pela exposição pré-natal à nicotina é transmitida de uma geração para a outra. Seus dados demonstraram que há uma transmissão intergeracional pela linha de descendência materna, mas não pela paterna.

“Os genes estão mudando constantemente. Alguns são silenciados e outros são expressos, e isso acontece não somente por meio de mecanismos hereditários, mas por causa de alguma coisa no ambiente ou por causa daquilo que comemos, vemos ou ouvimos”, Bhide diz. “Então a informação genética que é transmitida para seus descendentes é qualitativamente diferente do que a informação que você recebeu dos seus pais. É assim que as coisas mudam ao longo tempo na população”.

A partir de descobertas recentes sobre como coisas como o stress, o medo ou o desequilíbrio hormonal em um indivíduo podem ser passadas para as próximas gerações, Bhide e Zhu também estavam curiosos acerca de uma ligação comprovada entre exposição pré-natal à nicotina e hiperatividade em ratos.

O trabalho deles no Centro para Reparo do Cérebro incluiu ampla pesquisa acerca do TDAH, um distúrbio neurocomportamental que afeta dez por cento das crianças e cinco por cento dos adultos nos Estados Unidos. Pesquisadores têm-se esforçado para produzir uma explicação científica definitiva para o pico nos diagnósticos de TDAH nas últimas décadas.

“Alguns relatos mostram até 40 por cento do aumento nos casos de TDAH – em uma geração, basicamente”, diz Bhide. Não pode ser porque uma mutação ocorreu, leva várias gerações para que isso aconteça.

Um fator contributivo possível, ainda que não provado, é que o atual pico nos casos de TDAH está correlacionado, de alguma maneira, a um aumento no número de mulheres que fumaram durante gravidez, quando os cigarros tornaram-se moda nos Estados Unidos à época da Segunda Guerra Mundial e nas décadas seguintes.

“Outra pesquisa mostrou uma alta correlação entre fumar muito durante a gravidez e o índice de crianças com TDAH”, Bhide disse.

“O que é importante no nosso estudo é que nós estamos vendo que mudanças que ocorreram no genoma dos meus avós por causa do fumo durante a gravidez estão sendo passados para meus filhos. Então se meu filho tem TDAH, pode não importar que eu não tenha tipo pré-disposição a isso ou que eu nunca tenha fumado”.

Bhide avisa que o trabalho, ainda que conclusivo, é baseado no estudo com ratos, o que pode servir como um modelo aproximado para fenótipos humanos.

“Não é que cada criança nascida de uma mãe que fuma vá ter TDAH, e também não é verdade que todas as pessoas que têm TDAH vão transmitir o material genético responsável por ele”, ele diz.

“Mas o nosso trabalho abriu novas possibilidades. A próxima pergunta é: como essa transmissão para futuras gerações acontece? Qual é o mecanismo? E a segunda pergunta é: se o indivíduo é tratado com sucesso, isso impediria a transmissão para futuras gerações?”.
Autor:
OBID Fonte: Traduzido de Medical News Today