Legalização da maconha

Correio de Uberlândia – Ponto de Vista
Não sei se os responsáveis por esse tema estão se dando conta das implicações e das consequências da legalização da maconha. Nem de longe a legalização vai resolver as questões socialmente envolvidas, basta consultar os dados da ONU (Organização Mundial de Saúde), que tem seu parecer com base em dados e estudos de 112 países. Ir de encontro a esses dados e fatos é perigoso, insensato e muito arriscado.

Um tema dessa grandeza precisa ser proposto ao debate público e, verificar o que dispõe à necessidade de intercessão da autoridade pública. Porque, em meio às informações, nota-se que parece que cada cidadão já tomou posição sobre o assunto, sem mesmo medir as consequências. Ou seja, não importa de que lado os cidadãos estejam, o fato é que todas as pessoas, com raríssimas exceções, já têm opinião formada sobre a legalização das drogas. Por isso, o senado começará a discutir a legalização ou não da maconha.

Segundo matéria publicada na “Folha de S. Paulo”, no dia 15 fevereiro, a proposta foi de iniciativa popular, após atingir as 20 mil assinaturas de internautas exigidos pelo Congresso para discutir matéria. O relator será o senador Cristóvam Buarque, que asseverou que o Congresso não pode negar a análise do tema, embora ele mesmo não seja simpatizante da regulamentação. Segundo o autor da sugestão popular André Keiepper, da Fundação Osvaldo Cruz, sua proposta se baseia no convencimento de que a maconha é necessária para uso medicinal e para redução da criminalidade.

A questão é muito simplista. Pensar em legalização de droga no Brasil é uma piada de mau gosto. O Brasil tem extrema dificuldade de controlar a venda de bebida alcoólica a menores, de recuperar e tratar os alcoólatras e o descaminho (contrabando) de cigarros, bebidas e outros de países vizinhos é cotidiano. Então quem pode garantir que seja realmente controlado o uso da maconha e ir de encontro a já estabelecida realidade de uso em nosso país? É muita ingenuidade, achar que a maconha vai ser controlada e ser usada de forma moderada, porque, na realidade, não vai se controlar nada, nem crack ou cocaína, por isso, a associação e o Conselho Federal de Medicina são contrários à legalização e a maior parte da sociedade. Ora, em que pese o posicionamento de algumas autoridades e de alguns cidadãos serem a favor, existem pontos decisivos nessa discussão que são os benefícios e malefícios das drogas; no caso da maconha, ela é uma droga que traz muito mais malefícios do que benefícios. E pelo amor de Deus, não venham com essa de que o Estado não deve interferir na liberdade de escolha do indivíduo, cerne do liberalismo, se o Estado enxergar que a sociedade ficará a mercê de pseudo-liberais, deve sim haver a contrapartida do Estado em não aceitar.

A questão essencial para a proibição das drogas são os efeitos e a dependência química e degradação do corpo do indivíduo. Assim, é necessário uma maior análise e cuidado, pois se percebe que os argumentos são muito fragilizados para tamanha decisão em prol da legalização da droga. É claro que não se pode negar que a política de repressão às drogas não tem funcionado como deveria, mas seria a legalização o caminho mais acertado?
Diógenes Pereira da Silva
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas