Usuários de drogas recreativas que mudam do êxtase para a mefedrona não sabem de riscos relacionados ao uso

Ao contrário da crença popular comum entre os usuários de drogas recreativas, a mefedrona é significativamente diferente do MDMA, conhecido como ecstasy. Essas diferenças significam que a mefedrona pode levar o usuário a ter sintomas de abstinência agudos e indicam que ele pode ter um maior potencial para desenvolver dependência de MDMA, de acordo com um estudo publicado no British Journal of Pharmacology.

“Embora os usuários relatem que a mefedrona produz efeitos psicoativos semelhantes ao MDMA, estas duas drogas produzem diferentes alterações no cérebro e distintos efeitos adversos, especialmente quando ingeridos com outras drogas”, diz o professor Richard Green, que trabalha na Escola de Ciências da Vida da Universidade de Nottingham e é administrador da Sociedade Britânica farmacológica .

Na revisão bibliográfica da atual pesquisa científica e médica, o Professor Green e seus colegas concluíram que havia apenas dois efeitos nocivos aos usuários de MDMA que a mefedrona não replica: neurotoxicidade por monoamina no cérebro e hipertermia, o que pode levar a problemas quando consumida com o MDMA.

Os relatórios mostram que os usuários de mefedrona tendem a tomar doses repetidas ao longo de um curto período. Este uso binge pode induzir efeitos adversos mais graves, incluindo o risco de tornarem-se dependentes da droga, dizem os pesquisadores.

Estudos pré-clínicos de mefedrona em animais de laboratório indicam uma série de razões pelas quais a droga pode se tornar mais gratificante do que o MDMA:

– A mefedrona chega rapidamente ao cérebro, por isso faz efeito rapidamente. Em seguida, é rapidamente processada e dispersada. Este pico pode induzir a uma série de sintomas de abstinência agudos que não ocorrem com o MDMA, que penetra mais lentamente no cérebro, assim como no metabolismo.

– A maneira como a mefedrona interage com transportadores de neurotransmissores e / ou receptores no cérebro significa que ela tem ação ainda mais estimulante do que o MDMA, deixando o usuário com humor muito positivo, mas faz isso de uma forma que também tende a ser altamente psicoestimulante e a ter grandes possibilidades de abuso Enquanto o MDMA também leva a um estado de espírito positivo, o modo como ele opera causa menos efeitos psicoestimulantes do que a mefedrona.

“Uma das principais conclusões para médicos e usuários de drogas é que, apesar de as drogas psicoestimulantes poderem inicialmente parecer semelhantes, as diferenças na forma como elas funcionam pode ser essencial”, diz Green, que publicou os resultados no British Journal of Pharmacology. “A boa notícia é que os efeitos observados em estudos com animais geralmente refletem as mudanças relatadas em seres humanos, o que nos dá a confiança de que os sinais de alerta destes estudos sobre os riscos relativos de diferentes drogas devem ser levados a sério”.
Autor:
OBID Fonte: Traduzido e adaptado de Medical News Today