Heroína: uma ameaça crescente nos Estados Unidos

A dependência da heroína e de outros opiáceos está agora tirando mais vidas em muitas comunidades dos Estados Unidos do que crimes violentos e acidentes automobilísticos, dizem altos funcionários do país, que se juntaram para discutir o aumento dos prejuízos causados pela droga.

De Burlington, Vermont, e Nova Iorque para a Filadélfia e Knoxville, as autoridades locais e federais dizem que o aumento, especialmente na disponibilidade e na pureza da heroína, está tendo consequências inacreditavelmente letais. A heroína é mais barata do que opiáceos de prescrição, custando a partir de cerca de US$ 4 por dose, em alguns lugares, para US$ 20 em outros, tornando-se uma droga atraente.

Em Nova Iorque, as 730 mortes por overdose de drogas em 2012 – sendo que a metade delas estima-se estar relacionada a heroína e opiáceos prescritos – representaram quase o dobro do número de homicídios.

O chefe de polícia de Knoxville, David Rausch, diz que mortes por overdose, impulsionadas pela combinação de heroína e de abuso de opiáceos, foram maiores do que o número de homicídios no ano passado: 52 contra 19. Além disso, a Pesquisa sobre Ameaça Nacional das Drogas, classificou a heroína como a droga de segundo maior risco, após o abuso de metanfetamina.

Entre 2009 e 2013, de acordo com a avaliação, produzida pela National Drug Intelligence Center, do governo dos Estados Unidos, as apreensões de heroína aumentaram 87%. O tamanho médio das apreensões aumentou 81 % durante o mesmo período.

“A consciência nacional não tem se focado realmente no problema”, disse o procurador-geral Eric Holder na conferência de mais de 200 funcionários, organizada pelo Fórum de Pesquisa da Polícia Executiva, um think tank com sede em Washington.

“As pessoas viram isso mais como um problema estatal e local. Este é um problema verdadeiramente nacional”.

Os comentários de Holder vieram apenas um mês depois que ele pediu à polícia e a outros socorristas para transportarem consigo a droga naloxona, mais comumente conhecida como Narcan, que ajuda a ressuscitar vítimas de overdoses potencialmente mortais.

O procurador-geral reafirmou que a orientação deve ser encarada como uma ferramenta que pode potencialmente salvar vidas, e que a polícia deve considerar o seu uso ao responder a chamadas por overdose;

“Isso nos pegou de surpresa”, disse Holder, referindo-se ao ressurgimento da heroína após sua popularidade anterior nos anos 50 e 60.

Holder juntou-se ao diretor do FBI, James Comey, à chefe do Drug Enforcement Administration Michele Leonhart e a Michael Botticelli, diretor em exercício do Escritório de Política Nacional de Controle de Drogas da Casa Branca, na primeira cúpula nacional sobre a questão.

“Todos os lugares que eu visitei, eu ouvi falar da heroína”, Comey disse ao grupo, referindo-se a visitas recentes a 25 divisões de campo do FBI durante seus primeiros sete meses no cargo. “É um tipo de questão que atinge todos os lugares, todas as coisas. Uma coisa com a qual temos de lidar é este problema”.

Grande parte da discussão, no entanto, foi desencadeada por oficiais de departamentos policiais de cidades pequenas, que levaram relatos perturbadores de como as suas comunidades têm sido inundados com a droga, que causa dependência muito forte. O chefe de polícia Michael Burlington Schirling disse que não é mais incomum encontrar 10 mil doses por apreensão de heroína.

As autoridades policiais de Rutland, Vermont, e as comunidades de Massachusetts de Taunton e Fall River relataram problemas semelhantes, em que overdoses não fatais e fatais são comuns. “Está penetrando toda a nossa sociedade”, disse o chefe de polícia de Taunton Edward Walsh. “Está por toda a nossa comunidade.
Autor:
OBID Fonte: Traduzido e adaptado de USA Today