Anvisa vai investigar caso de morte de criança que dependia de remédio derivado de maconha

R7
Medicamento, importado dos Estados Unidos, ficou retido por 40 dias.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou a abertura de um processo de investigação sobre o caso do menino Gustavo Guedes, morto neste domingo (1º), em Brasília. A criança, de um ano e quatro meses, sofria uma doença rara que provoca crises epilépticas e dependia de um remédio, importado dos Estados Unidos, feito com uma substância extraída da maconha, o canabidol. O corpo do bebê foi enterrado em Fortaleza (CE), nesta segunda-feira (2).

A criança chegou a utilizar o medicamento por cerca de dez dias. Antes disso, o remédio havia ficado retido na alfândega por 40 dias. Em nota, a Anvisa afirmou que autorizou, no dia 17 de abril, a família do menino a importar, em caráter excepcional o remédio.

A mãe da criança, Camila Guedes, postou a imagem de uma borboleta em sua página do Facebook e recebeu dezenas de mensagens de conforto. “Deus abençoe vocês, sinta-se abraçada. Você amou intensamente o Gustavo e lutou incansavelmente por ele”, dizia um dos textos.

Embora a comercialização de medicamentos com esta substância ainda seja proibida no Brasil, os pacientes que tenham a prescrição para utilizar esse remédio podem abrir um pedido junto à Anvisa para importá-lo.

De acordo com a agência, isso é necessário porque medicamentos sem registro no País não contam com dados de eficácia e segurança registrados na Anvisa. Por isso, cabe ao profissional médico a responsabilidade pela indicação do produto, juntamente com sua dosagem e forma de uso.

Os pais de uma criança de Brasília também entraram na Justiça para que a importação do remédio fosse autorizada para a filha. Katiele e Norberto Fischer travaram uma batalha judicial e conseguiram o direito de importar o medicamento, ilegal no Brasil, e que diminuiu consideravelmente o número de convulsões diárias sofridas pela filha, portadora da doença rara CDKL 5. A criança chegava a apresentar 60 quadros convulsivos por semana antes do uso do medicamento. Nove semanas depois do uso do Canabidiol, as crises ficaram mais espaçadas e ela chegou a passar semanas sem uma convulsão.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)