A cerveja nos estádios brasileiros é padrão Fifa ou crime?

Jornal de Brasília
Depois de a cerveja rolar solta, começa o jogo de empurra entre os possíveis culpados.

Após constantes brigas entre torcedores nos estádios do Brasil, a cerveja foi apontada como principal causa e acabou vetada dos jogos oficiais desde 2001.

Porém, a companheira fiel da arquibancada recebeu uma trégua nesta Copa do Mundo e voltou a ser comercializada livremente somente nos 30 dias dos confrontos.

Mas com o fim da Copa, a “gelada” continuou sendo vendida nos estádios do DF, atitude que esta completamente contrária ao Estatuto do Torcedor.

Exemplo claro do descaso com a lei foi na final do Candangão de Juniores, no último sábado, no Bezerrão. No intervalo do confronto entre Gama x Unaí/Paracatu era possível observar muitos copos de cerveja no chão e nas mãos do público.

Procurado pelo Jornal de Brasília, o secretário geral da Federação Brasiliense de Futebol (FBF), Helvécio Ferreira, presenciou a venda das bebidas, mas nada fez para impedir.

“Cheguei no bar e perguntei o porquê da comercialização. Eles me responderam que estavam seguindo o padrão Fifa”, afirmou.

Depois da declaração, o secretário acrescentou que a contratação da empresa para as vendas é de responsabilidade da administração do lugar. Além disso, explicou que se o confronto fosse sediado no Abadião, em Ceilândia – local onde a partida foi previamente definida -, a situação seria completamente diferente.

“A Federação não tem governança sobre os estádios, mas o nosso controle sobre o Abadião seria bem maior”, complementou.

Do outro lado

Alexandre Ferreira, administrador do Bezerrão, se contrapôs às declarações de Helvécio e alegou que é de total responsabilidade da Federação e do mandante do jogo fiscalizar esse tipo de situação e garantir a segurança do torcedor.

“Tinha gente da Federação lá, inclusive o presidente (Jozafá Dantas). Os torcedores estavam comprando do lado de fora e entrando com as latinhas livremente no lugar”, contou.

Sem grandes respostas

O capítulo quatro, artigo 14 do Estatuto do Torcedor diz: “A responsabilidade pela segurança do torcedor em evento esportivo é da entidade de prática desportiva detentora do mando de jogo e de seus dirigentes.”

Procurado pelo Jbr na noite de ontem, o presidente do Gama, Tonhão, não quis dar entrevista, alegando estar em reunião que duraria duas horas. Mais tarde, ele foi procurado e não mais atendeu o telefone celular.

mudança de lugar

O jogo da final do Candangão de Juniores, no último sábado, entre Gama e Unaí/Paracatu, deveria ter ocorrido no Abadião, em Ceilândia, apenas para manter o mando de campo neutro.

Em reunião com a FBF, os dirigentes do Gama manifestaram o interesse em sediar o confronto e os forasteiros prontamente aceitaram o pedido do rival.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)