Nova revisão do Observatório Europeu de Drogas e Toxidependência – EMCDDA sobre a infecção pelo vírus da hepatite C entre usuários de drogas injetáveis na Europa

As pessoas que usam drogas injetáveis ​​(Pwid, singla em inglês) são uma população chave afetada pelo vírus da hepatite C (VHC). As opções de tratamento estão melhorando e pode melhorar a prevenção; porém a forma de acesso dos PWid pode ser ruim.

Para coincidir com o Dia Mundial da Hepatite, a revista de acesso aberto PLOS ONE publicou os resultados de uma revisão sistemática do EMCDDA sobre os dados para a ampliação do tratamento do vírus da hepatite C e prevenção para dependentes de drogas injetáveis em toda a União Europeia.

O estudo, um dos maiores realizados sobre este tema e que envolveu mais de 80 colaboradores, conclui que os dados sobre epidemiologia do VHC de tratamento e cuidados da doença entre usuários da Europa, enquanto escassos, sugerem a ocorrência de muitas infecções não diagnosticadas e níveis de tratamento pouco eficazes, onde avaliados os dados, foram altos e deverão aumentar na próxima década.

Os autores revisaram a literatura publicada a partir de 2000, bem como dados fornecidos pelo relatório de drogas de uma rede de especialistas da Agência de Doenças Infecciosas (AGI). A disponibilidade de dados encontrados foi altamente variável entre países e áreas temáticas, por existirem limitações importantes tanto em termos de comparabilidade e representatividade. Abaixo estão alguns dos resultados:

• Incidência de VHC entre usuários foi frequentemente mais alta, com mais de um em cada dez usuários infectados por ano de exposição (intervalo 2,7-66).
• Taxas de cronicidade variaram acima e abaixo do esperado, ou seja, 75% (intervalo de 53-97%), o que sugere a existência de diferenças entre os países.
• Os genótipos 1 e 3 predominam entre usuários de injetáveis, mas o genótipo 4 paree estar crescendo, enquanto a proporção do genótipo “difícil de tratar” (1 + 4) apresentam larga variação (17-91%, mediana de 53%).
• A prevalência do HIV em pessoas infectadas pelo VHC varia muito (0-70%, mediana de 3,9%).
• Metade dos usuários de injetáveis cronicamente infectados não tinham conhecimento de sua infecção (média de 49%, faixa de 24-76%), e, das pessoas diagnosticadas, apenas um em cada dez entrou em tratamento para hepatite C (média de 9,5%, faixa de 1-19%).

O estudo conclui que são necessários maiores esforços para melhorar a disponibilidade de dados para orientar a oferta de tratamento do vírus da hepatite C entre usuários de injetáveis.
Autor:
OBID Fonte: EMCDDA