Pesquisa mostra que mais de 40% dos jovens bebem álcool antes das noitadas

IG
Entre os principais motivos da prática estão reduzir a ´ansiedade social` na boate e economizar com bebidas dentro da casa noturna.

Basta um olhar atento sábado à noite para ver que o ´esquenta` não é algo raro. Agora, pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) confirma que, para 41,3% dos jovens, ingerir álcool antes de entrar na boate é um hábito. Ao contrário do que muitos pensam, o gesto não é sinônimo de economia: adeptos da prática bebem ainda mais dentro das casas noturnas.

De acordo com o estudo, aqueles que vieram do ´esquenta` já entraram na boate com 0,23mg/L de álcool no sangue e saíram de lá com taxa de 0,34mg/L, o dobro do encontrado entre os que chegaram sóbrios. Além disso, 22,8% beberam em ´binge` (cinco ou mais doses de bebida em poucas horas) antes da noitada.

Entre os principais motivos da prática estão reduzir a ´ansiedade social` na boate (39%) e economizar com bebidas dentro da casa noturna (37,7%). “Os jovens acham que bebendo antes beberão menos dentro da boate, ou fazem isso para já chegarem ´calibrados` lá. Álcool puxa álcool, por isso eles bebem mais, ou seja, não há economia de dinheiro”, diz Zila Sanchez, professora do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp e responsável pela pesquisa.

O levantamento foi feito com 2.422 clientes de 31 casas noturnas. Eles foram entrevistados e se submeteram ao teste do bafômetro antes e depois da noitada.

A adesão ao ´esquenta` foi mais frequente entre homens de 18 a 25 anos, fumantes, solteiros e empregados. Deles, 33% beberam em casa, 30% na rua e 26% no bar. Cerveja, seguido de vodka foram os produtos mais consumidos, sobretudo depois das 19h.

De acordo com Zila, o excesso de álcool aumenta as chances de acidente, de briga na boate e do comportamento sexual de risco (sexo sem proteção com parceito casual ou até mesmo sem consentimento). Ela acrescenta que algumas boates impediram a entrada de pessoas alcoolizadas, mas o fato foi muito raro. “O álcool tira a percepção de riscos e as pessoas ficam mais vulneráveis”.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)