Em resposta ao texto: ´drogas: o que a folha pensa`, exponho a minha opinião!

Sou psicóloga especialista em Dependência Química, sou assinante do Jornal e tenho acompanhado assiduamente o trabalho da Folha, mas, no início do presente mês, fiquei surpresa com essa referida notícia: “Drogas: o que a Folha pensa”, devido à mídia ser um poderoso instrumento de divulgação, podendo assim, influenciar na opinião de muitos leitores!

Em primeiro lugar quero dizer que respeito à opinião da Folha, mas, gostaria de expor a minha:

1º) Na opinião da Folha, o ponto de partida deve ser a maconha e depois a cocaína, o crack?

2º) Campanhas educativas parecidas com as do álcool e cigarro, não seria mais tranquilo, campanhas mostrando o perigo do uso da droga, ao invés de tornar legal e depois tentar resolver os problemas que virão com campanhas, não faz sentido!

3º) Se uma parte da produção e da venda podem gerar recursos para prevenção e tratamento, então a Folha entende que o uso da maconha é prejudicial a saúde?

4º) Para a Folha o uso de drogas não deve ser considerado crime, o que cabe destacar aqui por sua relevância é que a Lei 11.343/06 não terá mais validade? Vamos relembrar, por exemplo, o Artigo 33: [1]
Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar:

Pena – reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem:

I – importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda, oferece, fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de drogas;

II – semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas;

III – utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade, posse, administração, guarda ou vigilância, ou consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas.

A Folha é a favor da legalização da maconha, ou seja, é a favor da legalização de uma substância psicoativa, um alucinógeno, uma droga perturbadora do sistema nervoso central.

Fumar maconha produz mudanças bastante rápidas no humor, percepção de tempo, memória e outros aspectos da função cerebral. Os efeitos mais desejados são uma sensação de euforia, relaxamento e bem-estar geral.

Nem todos os efeitos da maconha são agradáveis. Ansiedade, disforia, pânico e paranoia são os efeitos indesejáveis mais comumente relatados por usuários não familiarizados com seus efeitos. Sintomas psicóticos, como delírios e alucinações, também podem ocorrer com o uso de altas doses.

Convém lembrar que, uma série de estudos indica que a potência desta droga vem aumentando e, com isso, causando maiores prejuízos à saúde mental daqueles que a consomem.

Sendo proibida, muitos usuários dependentes de maconha necessitam de tratamento, entretanto, imagem se legalizarem?

Só quem sairá ganhando com a legalização será os traficantes, que com certeza terão bons preços e o tráfico mais uma vez saíra na vantagem.

Mesmo tendo uma opinião totalmente desigual da Folha, vou continuar seguindo o trabalho de vocês, gostaria que publicassem minha opinião, bem como de outros leitores e profissionais dedicados em prol de uma luta contra a possível legalização, em especial da maconha, essa erva perigosa!

Concluo, por todo o exposto, que o Brasil não tem condições de legalizar a maconha. Com a sua legalização, provavelmente, caminharemos para os diversos problemas parecidos com os causados pelas drogas lícitas (aquelas permitidas pela Lei), o álcool e o tabaco.

Para finalizar, no tocante ao trabalho, gostaria de saber se a Folha contrataria um jornalista usuário de maconha? A Folha teria em sua equipe um funcionário dependente de maconha?
Nesse cenário de incertezas, a Folha colocaria em risco o prestigio do Jornal?
Atenciosamente

Adriana Moraes – Psicóloga Especialista em Dependência Química
[1] Fonte: Legislação e políticas sobre drogas no Brasil – Brasília: Ministério da Justiça, Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, 2011. 106 páginas.
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas