Anúncio sobre uso da maconha cita profissões e cria polêmica no Ceará

G1
Peças foram veiculadas em jornais de Fortaleza. Coordenadora diz que campanha foi mal interpretada.

Uma campanha do movimento Brasil sem Drogas contra o uso recreativo da maconha gera polêmica em Fortaleza. Veiculados em jornais da cidade desde domingo (7), um dos anúncios traz a pergunta “você teria coragem de ser operado por um médico que acabou de fumar baseado?”. Em outros, questiona-se: “você teria coragem de viajar em um avião cujo piloto acabou de fumar um bagulho?” ou “teria coragem” de deixar o filho estudar com um professor “chapado”. As mensagens terminam sempre com a resposta “se a maconha for legalizada, isso será normal”. A coordenadora da campanha diz que o material está sendo mal interpretado.

Nas redes sociais, grupos que defendem a liberação do uso da maconha criticam a mensagem. Algumas dessas manifestações contrárias à campanha estão na página do Facebook do movimento “Marcha da Maconha Fortaleza”. Os participantes dizem que os anúncios são “ridículos” e “desinformados”.

O microempresário Nildo Júnior, um dos administradores da página do movimento, classificou a campanha como “piada”. “O Brasil tem passado por um momento de grande debate sobre o tema. Debates baseados em estudos científicos. Para mim, isso é uma tentativa desesperada que estigmatiza o usuário [de maconha] e não acrescenta nada ao debate”, disse. Para Nildo Júnior e diversos donos de perfis no Facebook que criticaram a campanha, o profissional não deve trabalhar sob efeito da maconha, assim como não deve trabalhar sob efeito de álcool, que é legalizado.

A coordenadora do grupo Brasil sem Drogas, Rossana Brasil, diz que a campanha foi mal interpretada e está sendo “bombardeada” de críticas. “Nós do Brasil sem Drogas não estamos condenando a legalização da maconha, somos contra o uso recreativo da droga, e o uso recreativo da droga está querendo pegar carona no uso medicinal”, diz.

Rossana afirma que o grupo do qual faz parte defende a aplicação do uso medicinal da maconha, mas a legalização do uso recreativo seria uma “banalização”. Ela explica também que não tem objetivo de ofender as classes profissionais citadas nas mensagens da campanha publicitária. “Com a legalização, do mesmo jeito que o pai diz pro filho ´vai ali comprar uma cachaça pra mim`, ele poderia dizer ´vai comprar um baseado pro seu pai`. A droga está destruindo famílias, e a campanha é para alertar as famílias sobre isso”, diz.

O grupo Brasil sem Drogas também realiza uma série de encontros na sede do Sindicato dos Médicos do Ceará para discutir a liberação da maconha. O sindicato e a coordenadora do Brasil sem Drogas, no entanto, esclarecem que os profissionais de medicina do Ceará não fazem parte da campanha, mas apenas cederam a sala.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)