Afastamento do trabalho por uso de drogas cresce 180%

Dados do INSS (Instituto Nacional de Seguro Social) revelam que, de 2009 a 2014, na região Noroeste do Estado, houve aumento de 182,6% no número de pessoas que recebem auxílio-doença por causa do consumo de drogas – principalmente crack e cocaína – e de 47% para casos de alcoolismo. Nos últimos cinco anos, 3.575 moradores da região passaram a receber auxílio-doença pelos transtornos motivados pelo uso de drogas. Até agosto deste ano, outros 781 trabalhadores foram afastados do emprego, por causa do consumo de drogas. O INSS não discrimina o número de auxílio por entorpecente consumido pelo beneficiado. No total, 4.356 pessoas estão afastadas.

O número de afastamentos devido ao consumo de álcool também aumentou, nos últimos cinco anos. Em 2009, 166 passaram a receber o auxílio-doença; já em 2013, o número subiu para 245. O que representa um aumento de 47%. De janeiro a agosto deste ano, 150 pessoas foram afastados do emprego, por causa do consumo de álcool. No total, o INSS já beneficiou 1.179 trabalhadores.

Para pedir o benefício, o trabalhador precisa comprovar por meio de perícia médica a impossibilidade de exercer a função, em razão ao consumo da droga ou do álcool. O valor recebido depende do salário do trabalhador e vai de R$ 724 a R$ 4.390,24. De acordo com o gerente regional do INSS, o período de afastamento depende de avaliação médica. É levado em consideração a idade, a atividade exercida pelo beneficiário e o tipo de tratamento a que ele será submetido, entre outros. Ela afirma desconhecer os motivos que possam explicar o aumento do número de pedidos de auxílio-doença devido à dependência química.

Para o psicólogo do Centro de Convivência É de Lei, de São Paulo, o aumento no número de auxílio-doença para usuários de droga e de álcool está relacionado à busca dos dependentes por ajuda médica. Para o profissional, existe uma quebra de tabu para se falar de drogas e, consequentemente, a coragem dos usuários de buscar tratamentos. Ele afirma que antes as pessoas não queriam tocar no assunto drogas. Agora, o usuário está se conscientizando de que pode procurar tratamento, ou sejam, eles (dependentes químicos) estão tomando coragem para falar que é um usuário e precisa de ajuda.
Autor:
OBID Fonte: DIARIO WEB