Grupo produz medicamentos à base de maconha no Rio

Diário de S. Paulo
Rede secreta distribui gratuitamente medicamentos derivados da erva para fins terapêuticos
Além de produzir, o grupo também distribui o medicamento para pacientes / Divulgação
Por: Diário SP Online

Enquanto o Brasil discute o uso medicinal da maconha, um grupo secreto criado no Rio de Janeiro decidiu produzir e distribuir gratuitamente medicamentos derivados da erva para fins terapêuticos — independentemente de implicações com a Justiça e com a polícia, além da ausência de um controle de qualidade “oficial” sobre o produto final.

Outro objetivo deste grupo é estimular os pacientes a cultivar suas próprias plantas e fazer seus próprios remédios. Esta comunidade não pretende se expandir muito, mas espera que sua ação inspire iniciativas semelhantes pelo país. No fundo, há também uma motivação política: discutir mais a legalização consciente da maconha no Brasil.

Por questões legais, eles não revelam suas identidades, quantos são ou quantos recebem o “remédio”, mas fazem parte da instituição médicos, cultivadores experientes, cientistas, advogados e até um policial. Alguns integrantes estimam que a rede some algo entre 40 e 60 pessoas, entre quem planta, faz o canal com os pacientes e dá apoio técnico, logístico e jurídico. A dinâmica do grupo acontece sem site ou qualquer outro tipo de divulgação que não seja o boca a boca.

No começo do ano a discussão sobre a legalização da maconha ganhou o horário nobre das televisões. Tudo por causa do caso de Anny Fischer, uma garota de 5 anos que tem um tipo raro de epilepsia. De acordo com os pais da menina, graças a um óleo à base de cannabis, importado ilegalmente por eles, Anny passou de 80 convulsões semanais para zero.

A história foi revelada pela revista Superinteressante e foi parar no Fantástico, da TV Globo. Além disso, virou um curta-metragem que rendeu um longa com mais casos – “Ilegal”, que estreou na última quinta-feira (9). Tarso Araújo, autor do livro “Almanaque das drogas”, descobridor de Anny e codiretor do filme, acredita que a iniciativa do grupo carioca seja inédita.

Governo: No Brasil é proibido o cultivo e a venda de maconha, no entanto, quem controla se um medicamento é ou não legal é a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão ligado ao Ministério da Saúde. Por meio de sua assessoria de imprensa, a agência afirma estar discutindo a possibilidade de reclassificação de “proibido” para “controlado”, o que facilitaria o acesso e a prescrição médica da substância.
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas