A nova droga sintética

DM Notícia
25B-NBOMe é a nova substância, similar ao LSD, considerada alucinógeno superpotente.

Em meio à dor da família do estudante, Victor Hugo Santos, 20 anos, encontrado morto, em setembro, na raia olímpica da Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo, um detalhe ganhou importância nos noticiários, a notícia de que o jovem fez uso da droga sintética chamada 25B-NBOMe. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que o jovem se afogou após fazer uso da substância.

A 25B-NBOMe é relativamente nova, está no mercado, há aproximadamente quatro anos, e já matou pessoas nos Estados Unidos. Semelhante a um pedacinho de papel, é consumida quando colocada na língua. A droga é similar ao ácido lisérgico (LSD) e os efeitos do uso ainda não são muito conhecidos, muito menos é possível prever as respostas de cada organismo.

As drogas sintéticas surgiram em 1910. Uma das primeiras foi a heroína, produzida para ajudar no tratamento de pacientes que tinham dependência química em cocaína. Elas podem ser lícitas ou ilícitas, caso do LSD, 25B-NBOMe, Ecstasy, Cristal, Heroína e outras. Estes entorpecentes são produzidos a partir de uma ou várias substâncias químicas psicoativas que estimulam ou deprimem o sistema nervoso central.

Muitas vezes, as substâncias estão sendo pesquisadas para fins benéficos e a publicação dos resultados dos estudos atrai pessoas mal intencionadas a prosseguir com os levantamentos, mas voltados à produção de drogas sintéticas.

Entre as drogas lícitas estão os antidepressivos, utilizados em tratamentos contra a depressão, mas o uso indiscriminado pode trazer prejuízos à saúde da pessoa. “Hoje nós temos o abuso dessas drogas. À medida que foram entrando no mercado surgiu também o mercado paralelo”, complementa o farmacêutico e professor de toxicologia do curso de Farmácia da UFG, Luiz Carlos da Cunha.

Muitas das drogas sintéticas causam estímulos cerebrais, aumento da frequência cardíaca, arritmia e a pessoa pode perder o controle, se acidentar e até matar alguém vivendo uma alucinação. Como consequência destes efeitos, pode ocorrer a morte, resultado de uma parada cardíaca, um acidente ou outros problemas.

Apesar de os testes existentes hoje serem capaz de identificar a presença das substâncias no organismo, identificar precisamente a causa da morte ainda é complicado. “Você identifica que a droga está lá, agora outra coisa é provar a causa da morte”, afirma Luiz Carlos.

Fabricação

A produção das drogas sintéticas é feita por laboratórios clandestinos, muitos deles no Suriname, país localizado ao Norte da América do Sul. Também existe produção em Portugal, Holanda, Irlanda e outros.

O Brasil não é considerado produtor desse tipo de droga, ou seja, o consumo no país é origem externa. No entanto, já foi identificado pela Polícia Federal (PF), no Estado de Santa Catarina, em 2012 um laboratório de produção, que sintetizava em alta escala o Ecstasy.

Repressão personalizada

O trabalho de repressão ao tráfico de drogas sintéticas, em Goiás, exige que a Polícia Civil (PC) se adapte à realidade dos usuários e traficantes. Como o valor destes entorpecentes é mais alto em comparação a outras drogas como maconha e cocaína, o consumo é mais elitizado.

Por este motivo os traficantes também se adaptam à realidade dos consumidores. Estes, quando não possuem alto poder aquisitivo, passam a ostentar para chamar a atenção dos usuários, e de maneira consecutiva atrair novos clientes.

O consumo se dá, em maior parte, de acordo com o adjunto da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (DENARC), Eduardo Prado, em festas, boates e reuniões em motéis. “Como Goiânia é uma Capital jovem, tem um grande número de universitários, é uma cidade que tem muitas boates, festas noturnas, acaba que o consumo da droga é grande”, explica o delegado.

O modo de agir dos traficantes exige que os agentes da Denarc elaborem estratégias específicas de atuação. “Nós temos que adequar cada investigação de acordo com o serviço que está sendo feito. E cada investigação nós temos que adequar de acordo até com a realidade do traficante. Nem todo traficante é igual, nem de Ecstasy, nem de coisa nenhuma”, conclui Prado.

A PC considera que, em Goiás, existe grande quantidade de tráfico e como consequência, o consumo de drogas sintéticas no Estado é alto. Em uma das maiores apreensões realizadas em Goiás, realizada em julho de 2012, foram recolhidos milhares de comprimidos de Ecstasy. Eles estavam em poder de dois rapazes, um deles, identificado como Thiago Henrique Santiago Santos, à época, apontado pela PC como grande traficante da droga e também de frascos de lança-perfume.

Preço

No caso dos comprimidos de Ecstasy, o preço varia de acordo com a concentração. Para que o comprador possa identificar de maneira mais fácil as características da droga, os comprimidos recebem logomarcas de fábricas de automóveis, imagens de animais, partidos políticos e outros símbolos.

As drogas consideradas ilícitas no Brasil estão incluídas em uma extensa lista elaborada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. A 25B-NBOMe foi incluída na relação em fevereiro deste ano.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)