Álcool no carnaval: Mulheres são maioria nas emergências

Diário de Pernambuco
A incidência de consumo exagerado de bebidas alcoólicas no carnaval é maior no público feminino que no masculino. É o que mostra um levantamento da Secretaria de Saúde de Olinda, que analisou a quantidade de pacientes do Hospital Tricentenário, Serviço de Pronto Atendimento de Peixinhos e Policlínica Barros Barreto com registro de ingestão de álcool e outras drogas nas festas de Momo do ano passado. Segundo a secretaria, das 3.837 pessoas atendidas nesses locais, 2.494 eram mulheres, com idades entre 16 e 26 anos, o equivalente a 65%.

Segundo a secretária de Saúde da cidade, Tereza Miranda, os dados alertam para a idade precoce de início do uso das bebidas. “A maioria são adolescentes que extrapolaram no álcool. É algo que vem nos chamando atenção. Acredito que seja porque, no geral, elas não têm hábito de beber e, no carnaval, por ser uma festa com muita liberdade, acabam passando mal”, disse Miranda.

Foi o que aconteceu com a profissional de comunicação R.B.S., num sábado de Zé Pereira. Ela contou que acordou cedo e saiu com uma amiga, sem tomar café da manhã. O dia foi regado a cervejas e cachaça (drinks com fruta). “Comi um espetinho, mas no final da tarde comecei a sentir uma tontura, como se fosse desmaiar. Fui socorrida para o hospital e precisei ficar no soro, tomando glicose”, lembrou. Esta foi a primeira e última vez que exagerou no consumo de álcool, afirmou.

De acordo com a professora e coordenadora do grupo de estudo sobre álcool e outras drogas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Roberta Salazar Uchoa, os números refletem a forma como o tema é tratado dentro da família e na sociedade. “Paralelamente a isso há a cultura da sociabilidade por meio da bebida, que é incentivada principalmente pelas propagandas. Então, para se sentirem pertencentes ao lugar e ao grupo, elas consomem exageradamente”, acrescentou.

Uchoa chamou atenção ainda para o fato de o incentivo à ingestão de bebidas alcoólicas afetar tanto homens quanto mulheres. “Se pararmos para observar a publicidade, veremos que o padrão é de estímulo ao consumo abusivo. Tudo é uma festa, com todos bebendo. E o contraditório é que as patrocionadoras do carnaval são, no geral, empresas de cervejas”. Ela defende mais rigor na Lei nº 9.294, de 1996, que permite a propaganda de bebidas com grau alcoólico menor que 13 GL (cervejas e vinhos).

Outro motivo para o maior índice de mulheres nos registros hospitalares são biológicas. O organismo feminino é mais lento que o masculino para metabolizar o álcool porque o corpo da mulher geralmente tem mais gordura.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)