Obid analisa indicadores da Pesquisa Nacional sobre o Uso do Crack

A Pesquisa Nacional sobre o Uso de Crack, de 2014, estima o número de usuários de “crack e/ou similares” nas 26 capitais do país e Distrito Federal para o ano de 2012. Por “similares do crack”, entenda-se o uso de pasta-base, merla e oxi, que, assim como o crack, são consumidos em cachimbos, latas e copos, ou em outros aparatos similares. Ressalta-se, no entanto, que, o que os entrevistados descrevem como similares do crack, não necessariamente é passível de ser identificado de forma clara do ponto de vista fármaco e toxicológico. Trata-se, portanto, de definições dos próprios consumidores e/ou seus conhecidos, e não dos resultados de análises toxicológicas.

Ainda, para fins deste estudo, utilizou-se a definição de “uso regular” como sendo o uso de droga por pelo menos 25 dias nos últimos 6 meses, sendo esta uma definição da Organização Panamericana de Saúde (OPAS). Cabe observar que não se trata de 25 vezes, mas sim dias, pois usuários de algumas substâncias (como cocaína em pó e crack), frequentemente, fazem uso das mesmas de forma repetida, num curto espaço de tempo, no contexto de um mesmo dia. A estimativa encontrada, então, nas capitais do país e Distrito Federal, para a população desses municípios que consomem crack e/ou similares de forma regular é na proporção de, aproximadamente, 0,81% (Intervalo de Confiança de 95% (IC95%): 0,76 – 0,86), o que representaria cerca de 370 mil usuários. Nesses mesmos municípios, temos que a estimativa para o número de usuários de drogas ilícitas em geral (com exceção da maconha) é de 2,28% (IC95% 2,17-2,38), ou seja, aproximadamente 1 milhão de usuários. Sendo assim, usuários de crack e/ou similares correspondem a 35% dos consumidores de drogas ilícitas nas capitais do país.

Viver em situação de rua é um fator agravante, por vezes, determinante, no que diz respeito ao risco de contrair doenças infecciosas transmissíveis, uma vez que a literatura aponta a população em situação de rua como mais vulnerável a diferentes agravos. Segundo o Programa Nacional de Tuberculose, por exemplo, a chance de contrair tuberculose é 37 vezes maior entre população de rua, se comparada à população geral (Brasil, 2013).

Quase metade dos usuários de crack e/ou similares do Brasil (42,17% [IC95% 38,52-45,91]) relatou trocar sexo por drogas e/ou dinheiro nos 30 dias anteriores à pesquisa de modo a obter meios para financiar o hábito ou a droga para consumo próprio. O achado é ainda mais alarmante quanto à variável ‘compartilhamento de apetrechos para utilização do crack e similares’, pois 71,01% (IC95% 67,61-74,20) dos usuários referem fazer uso compartilhado destes objetos nos 30 dias anteriores à pesquisa.
Fonte:OBID