Agência da ONU lamenta legalização da maconha nos EUA e Uruguai

G1
Grupo considerou que legalização é contrária ao direito internacional. Agência pediu que uso seja feito apenas com fins medicinais e científicos.
A Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE) expressou nesta terça-feira (3) preocupação quanto a legalização da maconha no Uruguai e nos Estados Unidos, considerando contrária ao direito internacional.

“A legalização da produção, da venda e da distribuição da maconha com outros fins que não medicinais e científicos nos estados do Alaska, Colorado, Oregon e Washington não se fez conforme as exigências dos tratados internacionais relativos ao controle das drogas”, afirmou a JIFE em seu relatório anual.

Esta preocupação é ainda maior, já que, de acordo com a agência da ONU, o teor médio de THC, o ingrediente ativo da cannabis, aumentou em 37% nas drogas produzidas nos Estados Unidos entre 2007 e 2012, um aumento que chegaria a 75% para o importado.

Da mesma forma, o conselho disse estar “profundamente preocupado com o impacto negativo da legislação uruguaia sobre a cannabis poderia ter sobre o sistema internacional de controle de drogas.”

O Uruguai se tornou em maio de 2014 o primeiro país a legalizar a produção, distribuição, venda e consumo de maconha.

A JIFE também lembra a Convenção de 1961 sobre as drogas, que autoriza o uso de cannabis “exclusivamente para fins médicos e científicos”.

Mesmo nesse contexto, a agência “pede aos governos que adotem programas que garantam o uso de cannabis para fins médicos apenas sob orientação de pessoal médico competente e sob supervisão médica”.

Neste contexto, a JIFE indicou que a oferta mundial de cocaína caiu de forma considerável, com um efeito perceptível nos mercados, principalmente nos Estados Unidos.

“A oferta mundial de cocaína sul-americana caiu em tal medida que poderia ter efeito perceptível sobre os principais mercados de consumo”, afirma o texto do órgão.

“Os indicadores norte-americanos e da Europa dão a entender que a oferta se manteve muito abaixo dos níveis recordes alcançados em 2006”, ressalta o documento.

Esta evolução estaria ligada a uma diminuição do cultivo da coca na Colômbia, Bolívia e Peru, os três maiores produtores mundiais, entre 2007 e 2013.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)