Adolescentes fumam maconha livremente em praça da região centro-sul de BH

Jornal O Estado de Minas
Os garotos, que aparentam ter entre 11 e 13 anos, foram flagrados fumando na Praça do Papa, no Bairro Mangabeiras. Relatório do CIA-BH revelou que a regional é a que mais apresenta ocorrências de tráfico e uso de drogas na cidade
Rodrigo Melo

Adolescente compartilham cigarro de maconha na Praça do Papa, nesta segunda-feira

Três adolescentes foram flagrados fumando maconha durante a tarde desta segunda-feira, na Praça do Papa, no Bairro Mangabeiras, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Os garotos, que aparentam ter entre 11 e 13 anos, sentaram na grama, enrolaram e compartilharam a droga sem se preocuparem em ser apreendidos. A regional é a que mais apresentou ocorrências de tráfico de drogas por adolescentes na capital, em 2014. O uso de drogas teve o terceiro maior índice.

De acordo com o relatório anual, divulgado pelo Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Autor de Ato Infracional de Belo Horizonte (CIA-BH), quase 10 mil adolescentes acusados de cometer algum tipo de ato infracional deram entrada na instituição em 2014. O uso de drogas foi o motivo da entrada de quase 12% dos adolescentes no CIA-BH. A infração foi a terceira mais cometida no ano, atrás apenas de roubos (15%) e tráfico de drogas (25%). A região Centro-Sul foi o cenário de 20% das ações.

O relatório apresenta também a evolução de atos violentos (roubo, estupro e homicídio), porte armas e tráfico de drogas, em comparação com os últimos cinco anos (2009/2013). Comparando às ocorrências de 2013, a única que teve redução no número de ocorrências foram os homicídios. O tráfico de drogas, que tinha sofrido reduções nos últimos três relatórios (2011/2013), saltou de 1.645 ocorrências para 2.278.

Entre as 11 opções de distribuição dos locais para identificar as regionais onde as ações foram cometidas, a Centro-Sul foi a que mais contabilizou ocorrências, representando 20% dos casos. As regionais Noroeste e Oeste vêm na sequência, com 11% cada.

O relatório traz ainda informações sobre o local de residência dos adolescentes, o nível de escolaridade, a distribuição das entradas ao longo da semana, entre outros dados. Neste ano, o documento traz também mapas que apontam a incidência de tipos de crime por área na cidade.

A reportagem do tentou entrar em contato com o Conselho Tutelar da regional Centro-Sul e a Divisão de Orientação e Proteção à Criança e ao Adolescente (Dopcad-MG), mas as ligações não foram atendidas. Já na Vara da Infância e Juventude da Comarca de Belo Horizonte, não havia ninguém para comentar o assunto.
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas