Brasil reduziu em 28% número de fumantes acima de 18 anos

Terra
Redução ocorreu em oito anos. Dia Mundial Sem Tabaco, comemorado em 31 de maio, neste ano também marca o primeiro ano após a regulamentação da Lei Antifumo.

Celebrado no domingo, 31 de maio, o Dia Mundial Sem Tabaco alerta para os prejuízos do fumo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2 bilhões de pessoas fumam – um terço da população mundial. A OMS estima que o tabaco é atualmente responsável por seis milhões de mortes no mundo a cada ano, com muitas delas ocorrendo prematuramente. Desse total, cerca de 600 mil mortes ocorrem por conta dos efeitos do tabagismo passivo.

Em 2015, a OMS chama atenção para os prejuízos do comércio ilícito de tabaco, que torna o cigarro mais acessível para pessoas de baixa renda e crianças. A entidade defende que a irregularidade prejudica as políticas fiscais de controle do tabagismo e diminui a capacidade dos governos de destinar recursos para o desenvolvimento socioeconômico. Além disso, os produtos ilegais podem descumprir regras como advertências sanitárias nas embalagens.

“O comércio ilícito de produtos do tabaco é, portanto, não apenas uma questão econômica, mas também um importante saúde e prioridade de segurança”, comenta Mariana Pinho, consultora da área de Promoção da Saúde da Fundação do Câncer.

O Dia Mundial Sem Tabaco deste ano também marca o primeiro ano após a regulamentação da Lei Antifumo (12.546/11), que entrou em vigor e no dia 3 de dezembro. A norma, válida há seis meses em todo o país, proíbe fumar em ambientes coletivos fechados ou parcialmente fechados e a propaganda do cigarro nos pontos de venda em todo o país. A Fundação do Câncer e entidades parceiras na causa cobravam a regulamentação desde a sanção da lei, em 2011.

“O Brasil está empenhado em reduzir as perdas causadas pelo fumo passivo, que, segundo a OMS, é a terceira maior causa de morte evitável do mundo (nas primeiras posições, estão o tabagismo ativo e o consumo excessivo de álcool). Quem ganha é a saúde pública, em especial a população que não fuma, mas convive com a fumaça do cigarro dos outros”, avalia Cristina Perez, também consultora de Promoção da Saúde da Fundação do Câncer.

Menos fumantes

Graças à sua política de controle do tabagismo, referência no mundo, o Brasil reduziu em 28% o percentual de fumantes acima de 18 anos em oito anos. Em 1989, 34,8% da população acima de 18 anos era fumante; em 2003, o percentual observado foi de 22,4 %; em 2008, a taxa era de 18,5 %; em 2013, o percentual total de adultos fumantes foi de 14,7%. Os dados são da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq), do Ministério da Saúde.

“O resultado deve-se a medidas como aumentos progressivos de impostos, proibição de fumar em locais fechados e de publicidade, e promoção de produtos de tabaco nos meios de comunicação”, afirma Cristina Perez.

Os benefícios

O cigarro possui ao menos 70 substâncias cancerígenas com mais de 4.700 componentes tóxicos. O tabagismo está relacionado a cerca de 71% das mortes por câncer de pulmão,

42% das mortes por doenças respiratórias crônicas e 10% das mortes por doenças cardiovasculares são atribuíveis ao tabagismo.

Segundo Cristina Perez, psicóloga, apesar de todas as campanhas e informações disponíveis que motivam o fumante a abandonar o cigarro, a decisão de parar é pessoal e requer dedicação e determinação. “As tentativas para deixar de fumar fazem parte do processo para se alcançar a cessação definitiva. Por isso, não desista se não conseguir na primeira tentativa. Recorrer à ajuda profissional é um grande passo para o fumante estabelecer um compromisso de respeito com seu corpo e sua vida”, recomenda a especialista.

A psicóloga aponta que os benefícios ao corpo são imediatos para quem deixa de fumar. Em 20 minutos, a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal. Em duas horas, não há mais nicotina no sangue. Em oito horas, o nível de oxigênio no sangue se normaliza. Em dois dias, os aromas e sabores dos alimentos se tornam mais perceptíveis. “A família do ex-fumante também estará mais saudável, porque não estará mais exposta à fumaça do cigarro”, ressalta.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)