Como aumentar o cerco ao cigarro

Revista Época
Apesar da diminuição do número de fumantes, o cigarro segue como um dos principais fatores de risco de mortes evitáveis no Brasil e no mundo.

Hoje, pouco mais de 10% dos adultos brasileiros fumam. Nos anos 1980, eram mais de 30%. A queda brutal tem relação com várias medidas: proibição da propaganda de cigarro na TV e em eventos culturais e esportivos, aumento do preço, proibição do fumo em vários tipos de locais de uso coletivo, campanhas de esclarecimento sobre riscos do tabagismo, fotos atemorizantes nos maços. Apesar da diminuição do número de fumantes, o cigarro segue como um dos principais fatores de risco de mortes evitáveis no Brasil e no mundo. Será que é possível reduzir esse número ainda mais?

No Brasil, o cigarro causa 200 mil mortes por ano, segundo o Ministério da Saúde. Fazendo uma conta rápida e supondo que o consumo médio de cigarro dos fumantes brasileiros seja de um maço por dia, chegamos à conclusão de que se vendem por aqui 10 milhões de maços todos os dias ou que 200 milhões de cigarros são consumidos diariamente. Haja pulmão! Experiências de outros países sugerem que é possível adotar medidas para reduzir esses números.

A Sociedade Real de Saúde Pública, do Reino Unido, recomenda a ampliação das zonas de exclusão de consumo de cigarro para áreas ao redor de bares e restaurantes, dentro dos parques e no entorno de escolas. É uma tentativa de reduzir a exposição de crianças e adolescentes ao cigarro. Em alguns lugares, esse tipo de restrição, mais severa, já está em vigor. Na Universidade George Washington, nos Estados Unidos, é proibido fumar em qualquer local do campus – seja em áreas fechadas ou abertas – há dois anos.

Outra experiência sugere que, se alguns estabelecimentos deixassem de vender cigarros, poderiam contribuir para o fim do vício de muitos fumantes. Uma grande rede de farmácias dos Estados Unidos – que trabalha com vários artigos, não só remédios – deixou de vender cigarros em suas lojas. Um ano depois da decisão, um estudo nos 16 Estados americanos em que a atuação da rede era mais forte apontou que houve uma queda de 1% na venda regional de cigarros. Em dois Estados em que a rede não atuava, não houve redução. Não é possível comprovar que a decisão da rede de farmácias tenha diretamente contribuído para a diminuição no número de fumantes naqueles Estados. Mas os pesquisadores acreditam que essa é uma inferência possível. O fato de ter ficado mais difícil encontrar cigarros pode ter contribuído com o esforço de algumas pessoas para abandonar o vício.

Se a posição da cadeia de farmácias fosse adotada por outras redes de grande porte, talvez se observasse um efeito ainda maior de queda nas vendas. É só uma questão desse tipo de iniciativa tomar folêgo.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)