A desagradável ressaca

A tão conhecida ressaca, palavra em cuja etimologia estão presentes os significados “mal-estar após libertinagem” e “dor”, é uma frequente, embora desagradável, experiência entre as pessoas que bebem até atingirem o nível de embriaguez. A ressaca sempre se associa à intoxicação aguda de álcool, inicia-se cerca de 6 a 8 horas após cessar o consumo e pode durar até 24 horas.

Em linhas gerais, a ressaca já foi anteriormente definida como a presença de ao menos dois sintomas relacionados, ocorrendo após o álcool consumido ter sido totalmente metabolizado, suficientes para perturbar o desempenho nas tarefas daquele dia. Pesquisas atuais estão sendo conduzidas para melhor compreender a presença e gravidade deste prejuízo no funcionamento e os mecanismos responsáveis pela ressaca e por suas variações entre os indivíduos. Apesar de haver uma grande variação entre os sintomas (de pessoa para pessoa e de ocasião para ocasião), é caracterizada por efeitos físicos e mentais adversos, em geral descritos como “mal-estar”:

* dor de cabeça
* fadiga
* náuseas
* falta de apetite
* tremores ou sensação de estar trêmulo
* problemas de concentração
* tontura
* desconforto gastrintestinal
* sudorese
* alterações no sono
* ansiedade
* irritabilidade

A intoxicação alcoólica relaciona-se ao nível de álcool no sangue, ou seja, à quantidade de doses ingeridas. Uma taça de vinho (100 ml), uma lata de cerveja (330 ml) ou uma dose de destilado (30 ml) contém aproximadamente a mesma quantidade de álcool puro, ou etanol (10 a 12 g). Dessa forma, consumir grande volume de bebida com baixo teor alcoólico equivale a pequeno volume de bebida com elevado teor alcoólico.

Apesar da elevada prevalência, o fenômeno da ressaca ainda não é totalmente compreendido cientificamente, mas diversos mecanismos demonstram contribuir para seu desenvolvimento. Existem evidências de que o álcool poderia produzir os efeitos indesejáveis diretamente, ao atuar sobre os rins na produção de urina, no trato gastrointestinal, nas concentrações de açúcar no sangue e no padrão de sono e ritmo biológico. Ainda, outras evidências apontam para o papel do acúmulo dos componentes químicos derivados da metabolização do álcool na produção dos sintomas.

Durante a ressaca, há mudanças significativas em parâmetros endócrinos (aumento nas concentrações de alguns hormônios), além de acidose metabólica (redução do pH do sangue). A desidratação que é produzida com o consumo de álcool associa-se com sintomas de boca seca e sede, ocorre com a eliminação de 600 a 1000 ml de água a cada 4 doses de álcool ingeridas e acontece pelas alterações na produção de urina e indução de sudorese. Outro problema que comumente pode surgir é a alteração no padrão de sono. Após um episódio de embriaguez, a pessoa está propensa a despertar algumas horas após ter adormecido e não conseguir voltar a dormir, a ter seu sono fragmentado e com supressão de algumas fases importantes para obter a reparação necessária.

Entendendo mais sobre a ressaca é possível ter consciência dos prejuízos que podem ocorrer com o consumo abusivo de álcool, e dessa forma, estar atento para não atingir os limites considerados problemáticos. Ao consumir bebidas alcoólicas, hidratar-se, alimentar-se e beber devagar são formas de ajudar a evitar seus efeitos nocivos.
Fonte:CISA – Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool