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Megaoperação fecha o cerco contra o PCC no Paraná

TN Online
Uma megaoperação, batizada de Alexandria, foi deflagrada nesta quinta-feira (17) pelas polícias Civil e Militar em todo o Paraná contra membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que atua dentro e fora dos presídios. Em todo o Estado são cumpridos 767 mandados de prisão e quatro de busca e apreensão, segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-PR).

Mais de 1,5 mil policiais foram mobilizados na ação. A Operação Alexandria é realizada em 72 municípios paranaenses. Anteriormente, a Sesp havia anunciado que eram 757 mandados, mas a informação foi corrigida no final da manhã.

Do total de mandados, 484 dizem respeito a acusados que já estão detidos no sistema prisional. Segundo balanço divulgado ao meio-dia pelo governo estadual, 92 pessoas procuradas nas ruas foram presas, sendo 27 em Curitiba e região metropolitana e outras 65 no interior do Paraná.
Nas áreas da 17ª Subdivisão Policial de Apucarana (SDP) e 22ª SDP de Arapongas, 21 pessoas foram detidas.

De acordo com o delegado-chefe da 17ª SDP, José Aparecido Jacovós, cinco mandados foram cumpridos em Apucarana, dois em Faxinal e dois em Ivaiporã. Até o final da manhã, quatro mandados ainda continuavam em aberto.

Na 22ª SDP de Arapongas, foram 12 mandados cumpridos, sendo dois em Rolândia e 10 em Arapongas. No caso da 22ª SDP, o delegado-chefe Osnildo Carneiro Lemes, revela que dos dez mandados para ser executados em Arapongas, seis pessoas já se encontravam presas. “Cumprimos os outros quatro mandados em vários bairros da cidade e todos os presos nesta operação já tinham mandados em aberto e passagem por tráfico”, observa.

O delegado Jacovós, de Apucarana, revela que escutas telefônicas foram usadas pela equipe do Centro de Operações Especais (COPE), de Curitiba, nas investigações. “Ao usar o telefone dentro de presídios, para ameaçar, o que os criminosos não sabiam era que a Polícia estava escutando tudo”, diz.


Delegado José Aparecido Javocós durante entrevista coletiva (Foto: Delair Garcia)

No caso de Apucarana, o delegado complementa que, além dos cumprimentos de mandados de prisão, foram apreendidos quase dez quilos de maconha, três balanças de precisão, mais de R$ 300 em notas pequenas e um caderno de contabilidade do tráfico. Objetos roubados também foram encontrados em uma das residências, onde foi executado mandado de prisão. Dois, inclusive, que não tinham mandados acabaram presos em flagrante por tráfico de drogas.

OPERAÇÃO ESTADUAL

A ação acontece em Curitiba e municípios da Região Metropolitana, em mais 72 cidades do interior do Estado e, ainda, em oito unidades prisionais do Paraná. A operação conta com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Departamento de Execução Penal do Paraná (Depen).Por decisão do Poder Judiciário, 237 telefones serão bloqueados, assim como 28 contas bancárias que, além do bloqueio, terão os valores sequestrados.

“Essa operação demonstra que é necessário que a atuação contra o crime organizado, especialmente com relação a essa facção que domina os presídios, seja feita de maneira integrada, passando inicialmente pela rede de informações, pela polícia atuante, pelo nosso sistema de inteligência dentro dos presídios, pela polícia preventiva, que faz o trabalho ostensivo nas ruas e também pela polícia de investigação”, disse o secretário da Segurança Pública e Administração Penitenciária, Wagner Mesquita.

“Somente com o trabalho integrado de todas essas áreas é que podemos fazer frente, acompanhar a movimentação e, no momento devido, fazer o combate à facção, o que resulta em um trabalho efetivo de desarticulação dessa quadrilha responsável por muitos crimes no Paraná”, explica Mesquita. A investigação começou em agosto de 2014, no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), depois que os policiais apreenderam diversos cadernos com anotações e detalhes da atuação da facção no Paraná. Cerca de 30 mil ligações foram interceptadas com autorização judicial.

A polícia tem mais de 1.700 horas de conversas dos membros da facção, envolvendo doze estados – Paraná, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Alagoas, Ceará, Goiás, Santa Catarina, Pernambuco, Rio Grande do Norte. O conteúdo das conversas interceptadas mostra que diversos crimes foram cometidos em benefício da organização criminosa, como tráfico de drogas, roubos de carros e residências, tráfico de armas e homicídios.

O nome da operação foi inspirado na Biblioteca Real de Alexandria ou Antiga Biblioteca de Alexandria, que foi uma das maiores bibliotecas do mundo antigo. Ela existiu até a Idade Média, quando, supostamente, foi destruída por um incêndio cujas causas são controversas. O local continha praticamente todo o saber da Antiguidade.
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas