Brasil sedia visita técnica a projetos do Programa de Diversificação de Culturas em áreas cultivadas com tabaco


Uma visita a dois bem-sucedidos empreendimentos do Programa Nacional de Diversificação de Produção em Áreas Cultivadas com Tabaco, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), foi o ponto alto do encontro organizado pelo MDA e pela Secretaria Executiva da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq) esta semana em Santa Catarina. Representantes das Filipinas, Jamaica e Uruguai foram conhecer de perto uma amostra dos bons resultados do programa para avaliar se o modelo pode ser empregado em seus países. As visitas foram em propriedades nos municípios de Nova Trento e Leoberto Leal, que fizeram a transição do cultivo de fumo para a agroecologia assessoradas pelo Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro).

Na abertura do encontro, Carmen Audera Lopez, do Secretariado da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) na Organização Mundial da Saúde falou sobre a pauta do encontro: “Vamos discutir as dificuldades e também ver alguns exemplos positivos e práticos do campo como alternativas para os países avançarem nas políticas de controle do tabaco e nos cumprimentos da CQCT. Ficamos muito felizes que o Brasil esteja participando ativamente desse projeto e ajudando outros países a enfrentar esses desafios”, disse.

A secretária-executiva da Conicq, Tania Cavalcante, agradeceu o apoio do Secretariado da CQCT na OMS. Tania destacou que a migração do cultivo do tabaco para outras produções, agrícolas ou não, é um trabalho de vários segmentos da sociedade. “O Brasil tem sido referência nas políticas de controle do tabaco e tem alcançado ótimos percentuais de redução de consumo e prevalência de fumantes, no entanto, muito ainda temos que avançar, afinal o Brasil é o terceiro maior produtor, após China e Índia, e grande exportador de tabaco. Para que possamos mudar essa realidade todos precisamos trabalhar”, convocou.

Myrna Cabotage, do Departamento de Saúde das Filipinas, agradeceu pela oportunidade de estar participando de um encontro onde “poderia aprender com as iniciativas brasileiras e também apresentar os problemas das Filipinas para aprofundar na implementação dos artigos 17 e 18 da CQCT”.

Peter Thompson, do Ministério da Agricultura da Jamaica, destacou avanços nas políticas de controle do tabaco de seu país. “Temos tido significativos avanços nas questões de restrições do fumo em ambientes fechados e coletivos e em ações em escolas, com foco em crianças e adolescentes, para que elas não comecem a fumar nem a trabalhar no cultivo. Agora, estamos tentando atuar no que propõem os artigos 17 e 18 da CQCT. Estamos aqui para aprender mais com vocês e levar ideias para implementar em nosso país. Hoje, na Jamaica, ainda temos muitas famílias que dependem e se beneficiam da produção de tabaco. Então, migrar para outras formas de produção é bastante difícil”, admitiu.

O produtor Edegar Guginski, de Santa Catarina, ainda planta tabaco, mas já está diversificando sua lavoura, obtendo renda com plantação de morango e uva e fabricação de geleia. Ele também começou a promover atividades de turismo rural. “Eu não gosto de plantar o fumo, eu prefiro plantar alimentos, como morango, feijão. Antes a gente só plantava tabaco porque não tinha alternativa. Hoje, eu já vivo praticamente do morango. Temos recebido muitas visitas de outros produtores do tabaco para conhecer o que temos feito e como eles também podem sair do cultivo do tabaco”, contou.

Antonio Gilmar Cognaco, outro produtor da região, começou a produzir alimentos orgânicos em 2005, quando ainda trabalhava com o tabaco em sua lavoura. Ele e sua família ficaram tão satisfeitos com os resultados, que, desde 2007, já atuam apenas no cultivo de produtos orgânicos (frutas, legumes e hortaliças, geleia e sucos de uva). “Hoje, fazemos parte de uma rede de ecovida, com cerca de 15 a 20 famílias que atuam na produção e venda de produtos orgânicos. No início, foi muito difícil pensar em como poderíamos vender o que produzíamos, afinal, com o tabaco, já sabíamos como revender e mais ou menos quanto renderia. Revendemos em feiras, ceasa, mercados locais e temos trabalhado com as escolas. Com os orgânicos, nunca temos uma perda ou falta muito significativa. E o que sobra, nós mesmos consumimos em nossas casas”, explicou o produtor.

“Existe um projeto do governo para priorizar alimentos orgânicos nas escolas e isso é muito bom porque garante um mercado para a gente e sabemos o que as nossas crianças estão comendo, alimentos sem veneno”, comemorou Antonio. “Quem trabalha com veneno na produção, muitas vezes usa produtos muito tóxicos e que podem ser até proibidos no Brasil – como o glifosato. Isso faz muito mal para a saúde, vemos cada vez mais como os plantadores adoecem de câncer e outras doenças”, ressaltou.
Fonte:INCA – Instituto Nacional de Câncer, Ministério da Saúde