Entrevista com Dr. Hermann Grinfeld – Álcool e Gravidez

Dr. Hermann Grinfeld é médico pediatra, Mestre em Perinatologia (Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein IIEP-HIAE), Doutor em Neurociências e Comportamento (Universidade de São Paulo) e Secretário do Grupo de Estudos do Alcoolismo na Gravidez da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

1. Quais são as implicações do consumo de álcool por gestantes e lactantes? Existe um limite seguro?

As implicações para o feto e recém-nascido podem ser devastadoras: malformações em órgãos nobres, como o cérebro e o coração, além do esqueleto; ocorrem também alterações de comportamento e na área cognitiva, quando a criança está em idade escolar. Não existe dosagem de álcool segura para a ocorrência da Síndrome Alcoólica Fetal, e devido a isso a recomendação às gestantes e lactantes é abstinência total nestes períodos.

2. O que é Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) e qual sua prevalência no Brasil?

A SAF é a maior tragédia decorrente do alcoolismo na gravidez: bebês menores, desnutridos, pequenos para a idade gestacional, com microcefalia e outras alterações faciais tais como microftalmia, ausência de filtro nasal e ponte nasal curta. Estima-se que a prevalência no Brasil está em torno de 1 a 3 casos para cada 1000 nascidos vivos, mas é um dado a ser verificado.

3. Quando diagnosticada, quais os cuidados/tratamentos que a criança com SAF e sua mãe devem receber?

A criança com SAF deve ser atendida desde o berçário por uma equipe multidisciplinar: pediatra, neuropediatra, psiquiatra, psicóloga, geneticista, terapeuta educacional, odontopediatra, no mínimo. Entende-se porque os cuidados com a SAF são custosos e difíceis. O acompanhamento deve ser feito até a idade adulta. A mãe deve ser encaminhada a um Centro de Referência do Alcoolismo e tratada por especialistas.

4. Quais as suas orientações para as mulheres que estão grávidas ou pensando em engravidar e têm o hábito de beber?

Se estiver pensando em engravidar, não beber; e se beber, não engravidar. Claro que a orientação deve ser enfática e rigorosa no sentido de interromper o consumo de bebida alcoólica em qualquer fase da gravidez, mas quanto mais cedo, melhor.

5. Como lidar no caso da mulher não saber da gravidez e consumir álcool normalmente? Existe alguma forma de reverter os prejuízos?

A mulher grávida que bebe, quando acompanhada no pré-natal, deve ser convencida a se tratar e interromper o consumo de álcool imediatamente pelo seu médico. Se ocorrerem as lesões que o álcool provoca, principalmente no sistema nervoso central, essas são irreversíveis. Deduz-se daí a gravidade da doença e a importância do aconselhamento que a equipe de tratamento deve fazer para que as consequências sejam minimizadas.
Fonte:CISA – Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool