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Diferenças entre jovens que bebem sozinhos ou com amigos quanto ao envolvimento em atos violentos

Durante os últimos dez anos, beber até se embriagar em ocasiões específicas de uso excessivo de álcool, em geral denominado “binge drinking”, tornou-se a principal preocupação em termos da saúde do estudante universitário norte-americano.

Para tentar entender este fenômeno, especialistas criaram o conceito de risco associado a episódio único de embriaguez (risky single occasion drinking (RSOD) leading to intoxication) e têm investigado as razões pelas quais os adolescentes bebem em excesso. Basicamente, os resultados das pesquisas mostram que dois motivos parecem estar fortemente associados ao consumo excessivo de álcool na adolescência: uma forma pessoal e solitária de lidar com estados emocionais negativos e uma forma grupal de celebrar e se divertir.

O objetivo da pesquisa foi classificar adolescentes de acordo com os riscos associados a episódios únicos de embriaguez e seus níveis de integração social. Foram divididos em 4 grupos, 3861 adolescentes que cursavam as 7ª e 8ª séries de escolas na Suíça, para o comportamento destes 4 grupos quanto ao bem-estar emocional e grau de exposição à violência. Os grupos foram:
Grupo 1.Beber por motivo social sem risco associado a episódio único de embriaguez.
Grupo 2. Beber por motivo social com risco associado a episódio único de embriaguez.
Grupo 3. Beber sozinho sem risco associado a episódio único de embriaguez.
Grupo 4. Beber sozinho com risco associado a episódio único de embriaguez.

Os autores relataram que os estudantes do sexo masculino apresentaram maior frequência de episódios de embriaguez quando saíam com os amigos do que as mulheres. De outro lado, as mulheres relataram mais sentimentos de solidão, rejeição e humor depressivo.

O grupo 4, ou seja, de indivíduos que bebem sozinhos com risco associado a episódio único de embriaguez tendia a ser composto por mulheres, ou por indivíduos com uma menor satisfação com a vida, menor auto-estima, com mais episódios de humor depressivo e de serem vítimas de agressão com maior frequência.

Comparando o grupo que “bebe sozinho sem risco para episódio único de embriaguez” com o que “bebe por motivos sociais com risco para episódio único de embriaguez”, este último tende a ser composto mais por homens que frequentavam a 8ª série. Eles apresentaram maior auto-estima e tenderam a relatar episódios de humor depressivo em menor frequência.

Os autores concluíram que apesar do conceito de risco para episódio único de embriaguez ser operacional e ajudar a compreender padrões motivacionais, comportamentais e emocionais relacionados ao beber excessivo na adolescência, ele não deve ser utilizado como critério único de classificação de risco. Variáveis como bem-estar emocional e ser vítima ou agente de violência mostraram ser preditores importantes de classificação para diferentes grupos de riscos.

Programas de prevenção devem ser desenvolvidos levando-se em consideração estes diferentes grupos: adolescentes classificados no grupo dos que bebem sozinhos e apresentam risco de episodio único de embriaguez pareceram ser mais inibidos socialmente, depressivos, e vítimas de agressão, enquanto que adolescentes classificados no grupo dos que bebem em grupo com risco de episodio único de embriaguez tendem a ser mais aceitos socialmente, porém mais propensos a serem agentes de atos violentos.
Fonte:CISA – Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool