Distante dos barões da droga, colombianos veem futuro econômico na maconha


PharmaCielo cultiva crisântemos enquanto espera aprovação para plantar maconha
The New York Times – Ezra Kaplan
Em Rionegro (Colômbia)

Assim como muitos barões da droga na Colômbia, Federico Cock-Correa quer vender seu produto globalmente. A apenas 25 quilômetros de Medellín, Cock-Correa pretende substituir uma vasta área de flores por plantas de maconha, com planos de exportar a colheita.

À diferença do brutal comércio de heroína e cocaína que um dia floresceram nas proximidades, porém, sua operação tem o selo de aprovação do governo.

No ano passado, o presidente Juan Manuel Santos liderou uma revisão das leis de drogas da Colômbia, que tinham 30 anos e formalmente legalizaram a maconha medicinal para uso doméstico. De modo crucial, a nova lei também permite o cultivo comercial, o processamento e a exportação de produtos medicinais da maconha –como óleos e cremes–, embora não a flor, a parte da planta que normalmente é enrolada em um cigarro.

As autoridades esperam que a medida prejudique o tráfico de drogas na Colômbia, criando uma oportunidade legal em uma indústria historicamente controlada pelo mercado paralelo. As autoridades acreditam que a nova lei também ajudará a atrair investimentos e dar um empurrão na economia, embora demore vários anos para que os investimentos deem um claro retorno.

“É saúde; é ciência; é a oportunidade de redimir o nome do país”, disse Cock-Correa, que dirige a filial colombiana da empresa PharmaCielo, que pretende capitalizar com as novas regras. “É uma mudança de produzir a planta que mata para produzir a planta que cura.”

Empresas colombianas como a PharmaCielo acreditam que poderão estabelecer uma base na indústria farmacêutica, assim como suas homólogas legais fizeram nos últimos anos. Nos EUA, a indústria da maconha continua atolada em choques entre a regulamentação local e a federal. Apesar de alguns Estados americanos terem legalizado a droga nos últimos anos, o governo federal atualmente proíbe a importação de qualquer produto da maconha.

“Pensamos que a Colômbia pode construir um negócio internacional de sucesso em torno da exportação de maconha medicinal”, disse Alejandro Gaviria, ministro da Saúde da Colômbia, em um e-mail. “O país já está pronto para participar do emergente mercado global.”
Jorge Panchoaga/The New York Times


Estufas da PharmaCielo em Rionegro, Colômbia
A PharmaCielo, sediada em Toronto (Canadá), foi fundada em 2014 e em junho passado tornou-se a primeira empresa da Colômbia a receber a licença do governo para fabricar produtos de cannabis. Ainda espera licenças para o cultivo.

Outras companhias a seguiram. Em julho, o governo concedeu licenças de produção para outra empresa canadense, a Cannavida, e a uma colombiana, Labfarve-Ecomedics. Ao contrário da PharmaCielo, esta última vai se concentrar no mercado interno, o que poderá permitir que comece mais depressa já que não precisará de licença de exportação.
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas