Condições adversas de trabalho e uso de álcool entre homens e mulheres

Os resultados foram controversos: ora a relação entre estresse e consumo de álcool se mostrava positiva, ora se mostrava negativa e, algumas vezes sequer foi notada. Os resultados também são controversos, quando o foco de estudo é o estresse no trabalho e sua relação com consumo de álcool. Contudo, pesquisas mais recentes referm que a relação entre estresse no trabalho e uso de álcool é indireta e intermediada por uma série de fatores.

Pesquisadores holandeses analisaram como as condições de risco corporal no trabalho, os aumentos de demanda funcional, controle sobre o trabalho realizado e apoio de colegas influenciou no uso de álcool por 18.973 trabalhadores entre 15 e 74 anos.

Os resultados mostraram que os trabalhadores submetidos a condições adversas no ambiente de trabalho tenderam a fazer uso abusivo de álcool. Os entrevistados que eram submetidos a condições de elevado risco corporal, consumiram álcool de maneira abusiva (>21 doses de álcool/semana para homens e >14 doses/semana álcool para mulheres). No caso exclusivo dos homens, houve aumento também do uso de álcool no padrão binge (> 6 doses de álcool por ocasião nos últimos 6 meses).

As mulheres que foram submetidas a aumento na demanda funcional de trabalho apresentaram aumento no uso abusivo de álcool. Os homens, contudo, quando submetidos a um aumento na demanda funcional de trabalho acusaram uma diminuição na frequência de uso binge de álcool. Os entrevistados que foram submetidos a condições adversas de trabalho tenderam a consumir álcool de maneira abusiva.

Há diferentes explicações para o aumento no uso de álcool entre os sujeitos submetidos a condições adversas no ambiente de trabalho. Este aumento pode ocorrer pelo aumento nos índices de estresse. É possível também que o aumento do uso de álcool faça parte de uma “cultura ocupacional”, por meio da qual os trabalhadores colegas de uma mesma categoria compartilham vocabulário, comportamento e hábitos de consumo de álcool em comum.

Concluindo, os autores sugerem que os programas de prevenção tenham preocupações com situações que envolvam condições adversas de trabalho.
Fonte:CISA – Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool