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Mitos e multas envolvem teste do bafômetro

Beber refrigerante, fazer bochecho com enxaguante bucal, comer chocolate, bala, e – os mais populares, que conquistaram as redes sociais com testes e blogs – tomar vinagre e até remédio; nenhum destes produtos ou qualquer outro conseguem interferir no teste do etilômetro, mais conhecido por bafômetro. Mas o Detran.SP explica qual é o único jeito eficaz, é não pegar o volante após ingerir bebida alcoólica.

“Esse boato é uma das muitas farsas que circulam nas redes sociais com o objetivo de burlar o teste do bafômetro. Mas o bafômetro mede o álcool ingerido, que passou para a circulação sanguínea e, posteriormente, é exalado dos pulmões para o ar. O vinagre não consegue interferir no etanol exalado para o ar, provindo dos pulmões do motorista”, explica a hepatologista Marta Deguti. Na realidade, se o vinagre contiver álcool, isso pode até agravar o resultado positivo do teste.

Outro que ganhou fama recente em blogs e redes sociais é o Metadoxil (piridoxina ou vitamina B6). Ele é um medicamento que acelera a metabolização do álcool do fígado e é mais utilizado no tratamento de alcoolismo e alterações no fígado. “Mas ele não interfere na concentração do álcool que está no sangue ou que é exalado e medido no bafômetro”, rebate Marta.

PROCESSO LENTO – O álcool é metabolizado em um ritmo lento, de 0,016% por hora, e isso pode variar muito. “Depende da quantidade ingerida, do tipo de enzima que o fígado do indivíduo possui, já que há diferentes padrões genéticos, pode ser mais rápido se a pessoa consome grandes quantidades de álcool regularmente, mais lento se o fígado não estiver totalmente saudável.” E, segundo a médica, pode levar até dez horas para que o álcool não seja mais detectado no sangue. “Não há formas eficientes de acelerar esse processo.”

O que é mais fácil calcular é a absorção do álcool pelo nosso organismo. “O álcool é rapidamente absorvido e atinge o pico de concentração no sangue cerca de 30 a 45 minutos após ser ingerido.”

O bafômetro é capaz, inclusive, de detectar a presença de álcool se o teste for feito imediatamente após a pessoa ter consumido alimentos como bombom com licor ou usado antisséptico bucal que contenha álcool. Nesses casos, a orientação é que o motorista informe o fato à autoridade de trânsito no momento da abordagem. Dessa forma, se preciso, o condutor pode fazer bochechos com água a fim de retirar resíduos de álcool da mucosa, antes de fazer o teste ou fazer um novo exame.

RECUSA – Nas operações do “Programa Direção Segura” – blitze coordenadas pelo Detran.SP que integram equipes das polícias Militar, Civil e Técnico-Científica – é comum os motoristas negarem-se a fazer o teste do bafômetro na tentativa de escapar de possíveis sanções; porém, não se submeter ao exame, também é uma infração.

Quem se nega a fazer o teste do bafômetro recebe multa de R$ 2.934,70 e responde automaticamente a processo de suspensão do direito de dirigir pelo período de um ano. Além disso, mesmo que o condutor recuse-se a soprar o etilômetro caso o perito da Polícia Técnico-Científica identifique durante o exame clínico que a pessoa não está apta a dirigir, ao ter atitudes como cambalear e falar coisas sem sentido, o cidadão pode responder também a crime de trânsito. A pena é de seis meses a três anos de prisão.

Para quem se submete ao teste do bafômetro, o índice que corresponde à crime é superior a 0,33 miligrama de álcool por litro de ar expelido.

Em todos os casos, conforme determina a legislação federal, os condutores autuados pela Lei Seca têm direito à defesa em três instâncias, antes da conclusão do processo de suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Quem for apenado e for flagrado dirigindo enquanto a CNH está suspensa, será multado em R$ 5.869,40 e responderá a processo da cassação do direito de dirigir por dois anos.

“É preciso que as pessoas se conscientizem de que dirigir após ingerir bebida alcoólica é um risco à vida não apenas do próprio motorista, mas também das pessoas ao redor. O álcool reduz os reflexos e a capacidade de reação do condutor, e dirigir exige máxima atenção. Somente com senso de responsabilidade e engajamento de todos podemos ter um trânsito mais seguro e humano”, destaca Neiva Aparecida Doretto, diretora-vice-presidente do Detran.SP.
Fonte: Diário de Sorocaba