Relatório 2011 da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE)

Site Antidrogas e UNODC

JIFE: Temos que impedir a venda de drogas para crianças por meio das mídias sociais

28 de fevereiro de 2012 – Farmácias ilegais na internet estão vendendo drogas ilícitas online, assim como drogas de prescrição e, cada vez, mais buscam captar audiências jovens, afirma a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes, com sede em Viena, no relatório anual correspondente a 2011, lançado hoje.

O presidente da JIFE, Hamid Ghodse, observou que “as farmácias ilegais na Internet começaram a usar as mídias sociais para anunciar seus sites, o que pode expor um grande público aos riscos que substâncias perigosas representam, especialmente considerando que a Organização Mundial da Saúde levantou que mais da metade dos medicamentos vendidos por farmácias ilegais na Internet é falsificada”.

Entre os aspectos mais comuns das atividades das farmácias ilegais na Internet estão o contrabando de produtos para os consumidores, a procura de espaço para hospedar os seus sites e o fato de que tentam convencer os consumidores de que são realmente legítimas. A JIFE convoca os governos a fecharem as farmácias ilegais na Internet e a apreender as substâncias que foram encomendadas ilicitamente pela Internet ou contrabandeadas por meio de e-mails.

A juventude tem o direito de ser protegida do abuso e da dependência de drogas – A JIFE alerta para a necessidade de mais esforços para quebrar o ciclo-vicioso da exclusão social e problemas relacionados às drogas

Ajudar as comunidades marginalizadas que sofrem com problemas relacionados às drogas tem que ser uma prioridade, segundo o relatório anual da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE) correspondente a 2011. Em comunidades do mundo inteiro, o uso indevido e o tráfico de drogas têm alcançado índices quase endêmicos, inserindo-se num ciclo-vicioso que engloba uma série de problemas sociais relacionados com a violência, o crime organizado, a corrupção, o desemprego, saúde precária e baixos níveis de educação. No entanto, os jovens são particularmente afetados. Segundo o presidente da Junta, “a juventude dessas comunidades deve ter as mesmas oportunidades brindadas a jovens da sociedade em geral e tem direito a ser protegida do uso indevido de drogas e da dependência química”. Comunidades fraturadas, com pouco senso de coesão social, estão mais propensas a se verem afetadas por múltiplos problemas, incluindo o uso indevido de drogas, que podem contribuir para a desordem social e a violência que têm se visto em cidades no mundo inteiro e que podem impactar a sociedade como um todo. Essas comunidades não apenas colocam em risco seus próprios habitantes, mas também ameaçam a estabilidade da comunidade como um todo. Ghodse advertiu: “É crucial que as necessidades de comunidades que se vêm diante da desintegração social sejam urgentemente atendidas antes que um ponto de inflexão seja alcançado, a partir do qual se torna impossível adotar medidas eficazes”.

Destaques Regionais
A região da América Central e Caribe continua sendo utilizada como uma das principais áreas de trânsito para o tráfico de drogas da América do Sul rumo à América do Norte. As organizações de tráfico de drogas vêm intensificando suas operações na região, representando uma séria ameaça à segurança da região. Cerca de 90% da cocaína nos Estados Unidos é traficada via México. Alguns cartéis de narcotraficantes mexicanos, sob pressão dos organismos de repressão do país, vêm mudando suas operações para a América Central, recorrendo a níveis de violência cada vez maiores. Pela primeira vez, em 2010, foi constatado que Honduras, Costa Rica e Nicarágua são importantes países de trânsito para o contrabando de drogas destinadas, principalmente, aos Estados Unidos. O tráfico de drogas tem se tornado um fator importante para o aumento dos índices de homicídios na América Central e é o principal fator para o aumento da violência na sub-região.

A América do Norte continua sendo o principal mercado de drogas do mundo e, em 2010, os três países da região continuaram apresentando níveis elevados de produção, fabricação, tráfico e consumo de drogas ilícitas. A cannabis ainda é a droga mais produzida na região, e as quantidades produzidas nos três países são enormes.

O cultivo ilícito de plantas de cannabis na Europa Ocidental e na Europa Central tem aumentado consideravelmente. As plantas de cannabis estão sendo cultivadas cada vez em escala industrial, principalmente em lugares fechados e com o envolvimento de grupos do crime organizado. A Europa continua sendo o segundo maior mercado de cocaína no mundo. Tem havido uma diversificação das rotas do tráfico de cocaína para a Europa, com um aumento do tráfico via África do Norte. O volume da cocaína apreendida por autoridades alfandegárias no leste europeu aumentou drasticamente em 2010. A Junta continua preocupada com a variedade de substâncias objeto de uso indevido na Europa, que continuam aumentando. Uma pesquisa realizada em 2011 entre jovens europeus de 15 a 24 anos de idade revelou que 5% dos entrevistados haviam consumido alguma substância que não estava sob controle. Em 2010, foi identificado um nível recorde de novas substâncias, maioria das quais não está sujeita a fiscalização internacional. A Europa é responsável pela maior proporção do mercado global de opiáceos e o uso indevido de heroína é o maior problema relacionado às drogas na Europa em termos de morbidade e mortalidade.

O oeste da Ásia continua sendo o epicentro do cultivo ilegal da papoula. Em 2011, foram registrados aumentos significativos na produção de ópio. A propagação do cultivo de papoula em províncias do Afeganistão, junto com um aumento substancial do preço do ópio nas fazendas onde é cultivada a papoula e as reduções previstas na Força Internacional de Assistência para a Segurança podem dar lugar a um aumento ainda maior da produção, a partir de 2011. Esta situação é motivo de grande preocupação para a Junta, especialmente por se tratar de uma região que já sofre com um dos mais elevados índices de uso indevido de opiáceos do mundo.
O tráfico de cocaína da América do Sul através da África até a Europa vem emergindo como uma grave ameaça nos últimos anos. A África Ocidental continua sendo utilizada para o tráfico de cocaína e os narcotraficantes recorrem cada vez mais à utilização de contêineres de carga marítima e aeronaves comerciais para contrabandear cocaína na região. A heroína entra no continente por meio da África Oriental e é contrabandeada, diretamente ou via a África Ocidental, para a Europa e outras regiões. Em 2011, apreensões recordes foram registradas no Quênia e na República Unida da Tanzânia. A Junta está especialmente preocupada com que o crescente fluxo de heroína na África tenha provocado um aumento no abuso de drogas na região, particularmente na África Oriental e do Sul.

Material relacionado

Relatório 2011 da Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes ( espanhol e inglês)

Press kit Global 2011 ( portuguêsespanholinglês)

Referências à Argentina ( espanholinglês)

Referências ao Brasil ( portuguêsespanhol, inglês)

Referências ao Chile ( espanholinglês)

Referências ao Paraguai ( espanholinglês)

Referências ao Uruguai ( espanholinglês)

Mais Informações
Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime UNODC-Brasil e Cone Sul
Assessora de Comunicação
Tel: +55 61 3204 7206
UNODC
Fonte Autorizada: UNODC