Gastar 14% do salário em álcool pode virar ‘mensalidade’, diz especialista

Nathalia Pelzl
Um estudo recente realizado pelo Deutsche Bank mostrou que o brasileiro gasta em média 14% da renda mensal com cerveja, considerando o valor do salário mínimo. A equipe do Jornal Midiamax conversou com especialista em psiquiatria e uma economista para saber os impactos disso na vida social, financeira e familiar.

Para o psiquiatra Marcos Estevão dos Santos Moura, vice-presidente do Cead (Conselho Estadual de Políticas Públicas Sobre Drogas do Estado), o álcool é aceito pois sempre esteve incluído no convívio social. “O convívio social é importante e necessário para diminuir o estresse do dia a dia, e o álcool sempre fez parte desse convívio e socialização”, pontua o especialista.

Segundo dados da pesquisa, cada brasileiro consome, em média, 6 litros de cerveja por mês. Para o psiquiatra isso está ligado com a questão consumista do ser humano, onde as propagandas e o marketing influenciam no consumo.

Para a economista e conselheira do Conselho Regional de Economia de Mato Grosso do Sul, Andreia Saragoça, a decisão de consumir ou não o álcool, ou qualquer outra coisa, é baseada nas nossas emoções, sendo assim o que precisa ser feito é colocar metas para que o orçamento familiar na seja prejudicado.

“Precisamos racionalizar ao máximo que conseguirmos nossas decisões de compra. E como faço isso? A primeira coisa é ter metas de vida (não sonhos!). Saber exatamente o que eu quero para a minha vida, uma casa, um carro, uma viagem. A partir daí terei claro do que é importante para mim e todas as minhas decisões de consumir ou não serão embasadas nas metas estabelecidas”, ressalta a economista.

Já para o vice-presidente do Cead, quem consome o álcool acaba assumindo uma mensalidade, igual uma casa ou até mesmo um carro. “Isso acaba envolvendo vida familiar, conjugal, a pessoa acaba gastando mais do que deveria, o que pode gerar dificuldade na família”, conclui.

Efeito do álcool nas relações

Caso você esteja com um problema e busque a solução no álcool, saiba que essa não é a saída, é o que acredita o psiquiatra, não que seja errado beber, cada um sabe das suas escolhas, no entanto, o álcool mexe com a consciência, explica Estevão.

“As brigas entre amigos e sociedade e muito frequente, o álcool faz a pessoa perder a crítica, fantasia, e muitas vezes fala o que não deve e até o que não existe. O álcool mexe no profissional, ambiente social, familiar e no cuidado com os filhos, são consequências negativas”.

Consequências do uso do álcool

Segundo o portal informativo Cisa (Centro de informações sobre Saúde e Álcool), entre os fatores de risco de maior impacto do uso exagerado do álcool estão, morbidade, mortalidade e incapacidades em todo o mundo, e está relacionada a 3,3 milhões de mortes a cada ano.

Para Marcos Estevão o consumo de álcool deixa de ser hobby quando o consumo passa ser diário, quando a pessoa vive apenas em função desse consumo. No gráfico abaixo é possível verificar as principais doenças atribuídas ao consumo excessivo do álcool

Fonte: Midiamax