Uso de álcool e drogas tem média de uma denúncia por dia entre menores

Conselho Tutelar I recebe em torno de 30 denuncias por mês; casos são encaminhados para tratamento

Volta Redonda – O caso de uma menor de 13 anos ferida em uma boate de Volta Redonda, em um evento intitulado “Copão na Mão”, chamou atenção para uma queixa cada vez mais frequente no mundo real e no virtual. O uso abusivo de álcool e drogas por menores de idade tem se tornado uma constante nas denúncias que chegam ao Conselho Tutelar I. A média é quase de uma por dia.

São cerca de cinco denúncias por semana, sendo que este número tem um salto quando há eventos voltados para o público mais jovem. Até mesmo a simples participação de menores em eventos do gênero deveria ser melhor fiscalizada e a venda de bebidas proibida de toda forma. Drogas são ilícitas e também configuram caso de polícia.

De acordo com o coordenador do Conselho, José Roberto, o número de denúncias sobe até 50% em dias de eventos.

– Por mês, o conselho recebe em torno de 30 denúncias de uso de álcool e drogas envolvendo crianças e adolescentes. No fim de ano, por exemplo, este tipo de denúncia triplica em razão das festas e confraternizações de faculdades. Depois de confirmada a denúncia, os usuários são encaminhados para as redes de atendimento como o programa Gaia (Grupo de Atendimento Integral ao Adolescente) e ao CAPSi(Centro de Atenção Psicossocial Infantil) – disse.

Pelas mãos do Conselho Tutelar, o Gaia recebeu encaminhamento de 60 casos de crianças e adolescentes que fazem uso de álcool e outras drogas, somente no primeiro semestre. O coordenador do conselho acredita que este ano as denúncias estão 50% maiores, porque as pessoas estão com mais receio da nova lei 13.106/15, que criminaliza a venda de bebida alcoólica para crianças e adolescentes. Cita também uma pressão maior da mídia e das redes sociais sobre o problema.

José Roberto destacou que a maior parte das denúncias chega ao conselho tutelar via telefone, através do “Disk 100” do Conselho de Direitos Humanos (10%) ou pelos telefones de plantão 08000250485 ou 999630010 (90%). “Cada denúncia é um caso. Se a ocorrência estiver em andamento naquele momento, vamos ao local imediatamente. Ao comprovar a denúncia, convidamos os envolvidos a virem ao conselho e entramos em contato com os pais ou responsáveis para serem advertidos. Só liberamos os envolvidos acompanhados de seus pais ou responsáveis. E caso haja necessidade, também solicitamos apoio da Guarda municipal e da Polícia Militar para encaminhar os envolvidos ao conselho – destacou.

Segundo o conselheiro, mesmo após o encaminhamento há um trabalho de acompanhamento da família. E aí vem um outro ponto preocupante:

– Cerca de 30% do total dos encaminhados abandonam o tratamento. Neste caso, fazemos uma busca ativa deste usuário tentando convencê-lo a retornar à rede de atendimento em que ele iniciou o atendimento – disse.

José Roberto apontou ainda que considera importante a realização de campanhas mais amplas para informar sobre riscos do uso de drogas e álcool pelos menores. Da mesma forma, ele afirma que é necessária ofertar cada vez mais atividades sadias a esta parcela da sociedade.

– No ano passado, chegamos a realizar algumas abordagens com a Guara e a PM em locais públicos com grande concentração de jovens, como o bairro Colina e a Vila Santa Cecília – disse.

Gaia traça perfil dos usuários atendidos

O Instituto de Desenvolvimento, Estudos, Ações e Implementações Sociais (IDEAIS), através de seu programa Gaia (Grupo de Atendimento Integral ao Adolescente), recebeu 84 usuários de álcool e outras drogas no primeiro semestre. Estes vieram das redes de atendimento do município, em sua maior parte do Conselho Tutelar.

Somente com essa turma, o Gaia fez 595 atendimentos, entre palestras, consultas, visitas e outras ações para ajudar na recuperação. De acordo com a presidente da ONG, Maria Augusta da Silva Tavares, neste período o Conselho Tutelar foi o órgão que mais encaminhou usuários para o programa, sendo responsável por 44% dos encaminhamentos.

O Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (CRIAD) encaminhou mais 29%; Houve demanda espontânea (8%); o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) 5%; o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) 5%; escolas públicas (3,5%); Fundação Beatriz Gama (2%); Ministério Público (1,2%) e o Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi) 1,2%.

Do total atendido, 47% são na faixa etária entre 12 a 15 anos e 70% são do sexo masculino. O atendimento, explica Augusta, é realizado por etapas. Primeiro, é oferecido o acolhimento deste usuário no programa, onde é feito junto com os familiares, e em seguida individual.

– Depois do acolhimento é realizado uma avaliação social dele com o objetivo de identificar as condições socioeconômicas da família, para dessa forma podermos traçar um plano de atendimento para este usuário. Depois da avaliação social é feita uma avaliação psicológica com o intuito de identificar comorbidades que possam intensificar ainda mais a questão da dependência. Após as avaliações traça-se juntamente com a equipe técnica o plano de atendimento para o usuário junto com a família. E dependendo da gravidade deste usuário, será feita uma avaliação psiquiátrica ou encaminhamento para as atividades disponibilizadas pelo programa Gaia através das nossas diversas oficinas – ressalta.

Fonte: Diário do Vale