Vapor do cigarro eletrônico faz mal aos pulmões

O uso prolongado do e-cigarette pode causar doença pulmonar obstrutiva crônica (COPD)

Estudo publicado no Jornal Thorax afirma que os cigarros eletrônicos – considerados menos nocivos á saúde se comparados a seus similares feitos de tabaco – são responsáveis por desativar as células do sistema imunológico dos pulmões. O vapor liberado pelo produto prejudica os macrófagos alveolares – que removem partículas de sujeira, bactérias e substâncias que causam alergias do trato respiratório.

O autor da pesquisa desenvolvido pela Universidade de Birmingham, Professor David Thickett, faz um alerta avisando que as grandes fabricantes de cigarro compraram as companhias de e-cigarettes e estão vendendo o produto como inofensivo – mas o contato com a composição química do fluido pode acarretar problemas. “Eles são mais seguros em relação ao risco de câncer – que afeta, inclusive, os não-fumantes que convivem com quem fuma – mas seu uso por cerca de 20 ou 30 anos pode acarretar doença pulmonar obstrutiva crônica (COPD)”, explica. “Os e-cigarettes não são tão seguros como nos levaram a acreditar”.

Vapor liberado pode prejudicar gravemente as células pulmonares que eliminam as alergias, bactérias e poeiras. 

Um estudo publicado no BMJ Journals provou que os cigarros eletrônicos podem ser prejudiciais à saúde dado que o vapor liberado é potencialmente perigoso para as células pulmonares dos consumidores. A pesquisa, iniciada em novembro de 2016, foi levada a cabo por investigadores da Universidade de Birmingham, no Reino Unido.

A  recente pesquisa na área reconheceu que o vapor deste cigarro poderá prejudicar a atividade dos macrófagos alveolares, as células que eliminam os alergênios, as bactérias e as partículas de poeiras potencialmente prejudiciais à saúde humana.

Os investigadores dizem que a longo prazo os malefícios são bastante semelhantes aos dos fumadores comuns e de pessoas com doenças pulmonares obstrutivas crônicas.

David Thickett, professor e investigador da Universidade de Birmingham, disse: “Relativamente ao câncer, certamente que em comparação com um cigarro comum o número de agentes cancerígenos será mais reduzido num cigarro eletrônico”. “Acredito que os cigarros eletrônicos serão menos prejudiciais, no entanto é preciso ter algum cuidado e moderação no consumo pois revelam-se cada vez menos inofensivos do que se pensava inicialmente”, acrescenta.

Os cientistas afirmam que é necessário continuar com os estudos e um trabalho mais intensivo para entender claramente quais são os efeitos da exposição ao vapor nos seres humanos. “Sugerimos precaução contínua no consumo dos cigarros eletrônicos pois está provado que estes não são totalmente seguros e inofensivos”, dizem.

John Britton, professor e diretor do centro de estudos de tabaco e álcool na Universidade de Nottingham afirma: “Este estudo demonstra claramente que as células do pulmão ficam inflamadas depois de expostas ao vapor de cigarro eletrônico, como seria esperado depois de serem detectados oxidantes e outros componentes pró-inflamatórios na sua composição”.

Os investigadores avançam ainda que “fumar mata” e como tal se fumadores comuns alterarem o seu hábito para cigarros eletrônicos poderão reduzir substancialmente a probabilidade de morte prematura apesar de não evitarem outras doenças trazidas pelo vapor que se mostra cada vez mais prejudicial à saúde.

Fonte: CM Jornal