Por que os efeitos da ressaca permanecem mesmo depois que o álcool deixa o organismo

O dia seguinte após uma noite de bebedeira vai muito além da dor de cabeça.

Ana Beatriz Rosa

A maioria de nós conhece bem os efeitos de quando estamos bêbados: ficamos mais lentos, perdemos parte da coordenação, temos pouca atenção, a memória falha, temos uma forte sensação de desequilíbrio, enfim.

Porém, os pesquisadores da Universidade de Bath, na Inglaterra, descobriram que esses sintomas realmente permanecem, mesmo depois que o álcool está completamente fora de nosso organismo.

As descobertas foram publicadas no artigo “Uma revisão sistemática dos efeitos do consumo de álcool no desempenho cognitivo”, na revista científica Addiction.

Ou seja, o dia seguinte após uma noite de bebedeira vai muito além da dor de cabeça e da ressaca, já que algumas das deficiências cognitivas que você sente quando está bêbado também permanecem.

“Nossa pesquisa sugere que, mesmo quando o álcool deixou seu sistema, você ainda pode ser prejudicado em processos cognitivos necessários para atividades cotidianas, como trabalhar e dirigir”, explicou Sally Adams, professora de psicologia da saúde na Universidade de Bath e uma das autoras do estudo.

O comprometimento da coordenação motora e dos reflexos pode representar uma ameaça à segurança no trânsito, o que significa que é muito melhor chamar um táxi ainda na manhã seguinte.

“Quando analisamos todos os estudos que investigaram as habilidades psicomotoras, descobrimos que os tempos de reação durante a ressaca foram reduzidos. Isso pode contribuir para falhas na hora de fazer uma curva com um veículo ou na reação a outros motoristas”, explicam os pesquisadores.

No artigo, os pesquisadores também detalharam como a ressaca poderia afetar a produtividade no trabalho. Eles descobriram que certos processos, como a nossa capacidade de dividir a atenção entre as tarefas, não diminuíam após uma noite de bebedeira.

Ainda, eles descobriram que o aspecto de aprendizado da memória também era prejudicado. Isso impacta mais a vida de estudantes, que podem não conseguir absorver e reter informações durante as aulas.

Fonte: Huff Post