Raio x de cigarro paraguaio revela pedaços de insetos e chumbo

Estudo detecta que cigarros do contrabando são ainda mais prejudiciais à saúde do que os concorrentes brasileiros

Uma pesquisa da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), no Paraná, analisou centenas de cigarros aprendidos na fronteira com o Paraguai e os resultados parciais não poderiam ter sido mais preocupantes. O consumo da nicotina importada pode ser ainda mais corrosivo à saúde do que os cigarros nacionais vendidos legalmente. Pelo menos 70 doenças já catalogadas entre os fumantes podem ser aceleradas pelas bombas de nicotina importadas ilegalmente.

A Receita Federal costuma incinerar todo o material apreendido, mas procurou a universidade para tentar dar um destino mais nobre ao contrabando. Retirando o fumo dos produtos e analisando o material nos microscópios, a equipe liderada pelo pesquisador e professor Sandro Xavier de Campos ficou abismada: “Detectamos colônias de fungos e até olhos e pernas de insetos. Os cigarros tinham grande contaminação microbiológica”, recorda.

O ponto mais preocupante viria em seguida, após a descoberta de vestígios de metais extremamente nocivos à saúde. “Descobrimos que esses cigarros contrabandeados têm onze vezes mais chumbo do que os outros cigarros do Brasil. O chumbo não é metabolizado pelo corpo humano. O excesso pode ficar acumulado em partes mais duras, como os ossos, e isso pode causar alterações muito sérias no sistema nervoso central”, alerta Sandro Xavier.

“Fumar um produto assim é um tiro no escuro”

Blancard Torres, médico pneumologista com 40 anos de experiência no tratamento de fumantes crônicos, é taxativo sobre os riscos de se tragar um estoura-peito paraguaio: “Os metais pesados como o chumbo deixam as doenças mais agressivas. Fumar um produto assim é um tiro no escuro. Tudo que você consome sem saber o que tem dentro é sempre mais prejudicial”, disse o especialista, referindo-se ao fato de a Anvisa não ter controle das substâncias usadas nos similares populares.

O tabagismo mata em média 200 mil brasileiros por ano e é uma espécie de ‘doença mãe’ de pelo menos 70 implicações sérias como câncer, infarto, cirrose, isquemia, picos de pressão, insuficiência renal, etc. Cada cigarro brasileiro possui 4,420 substâncias. “E todas essas substâncias fazem mal ao organismo. Além disso, outras 17 doenças novas estão sendo estudadas como possíveis causas do hábito de fumar”.

A pesquisa da UEPG  encomendada pela Receita Federal está desenvolvendo um fertilizante com o tabaco contrabandeado. O material é misturado a restos de alimentos e a uma espécie de lodo resultante do tratamento de esgoto. “Estamos em fase de testes, mas já sabemos que é possível e viável produzir esse fertilizante”, aposta o pesquisador Sandro Xavier.

Fonte: OP9