Uso de maconha na adolescência aumenta risco de suicídio, diz estudo

Droga altera de forma perigosa a saúde mental

Uma das drogas recreativas mais consumidas entre os adolescentes, a maconha pode aumentar o risco de depressão e suicídio em jovens adultos, concluiu um estudo publicado na semana passada no periódico JAMA Psychiatry. Conduzida por pesquisadores da McGill University, no Canadá, a meta-análise revisou dados de estudos que abrangeram mais de 23 mil pessoas.

Entre os resultados, foi evidenciado que o uso de maconha antes dos 18 anos pode alterar de forma perigosa a saúde mental, mesmo em adolescentes que não reportaram nenhum sintoma de depressão antes de começar a usar a droga. Os pesquisadores também analisaram os riscos de ansiedade, ideias suicidas e tentativas de suicídio com base em dados de consumo diário e ocasional da droga.

— O estudo sugere que o diagnóstico de depressão em aproximadamente 7% dos canadenses e americanos entre 18 e 30 anos está associado à maconha, o que significa que 25 mil jovens canadenses e 400 mil americanos sofrem com depressão em função do uso precoce da droga — disse, ao site da universidade, Nancy Mayo, coautora do levantamento.

Na prática, o estudo demonstrou que consumir maconha na adolescência aumentou em 37% o risco de depressão e mais de três vezes o risco de tentar o suicídio.

— Quando começamos o estudo, esperávamos que a depressão aparecesse como fator relacionado à maconha, mas ficamos muito surpresos com os dados sobre comportamento suicida. De fato, um percentual significativo de tentativas de suicídio estava relacionado à droga — afirmou, ao site da universidade, a líder do estudo, Gabriella Gobbi.

Não foi evidenciada nenhuma relação forte entre o consumo de maconha e ansiedade.

Além desses problemas, o uso regular da droga nesse período da vida é associado a um baixo desempenho escolar, vício, psicose, declínio neuropsicológico e aumento do risco de acidentes de carro, elencou Andrea Cipriani, professora de psiquiatria na University of Oxford, do Reino Unido, que também colaborou com o relatório.

Fonte: Zero Hora