Start-up desenvolve bafômetro que detecta uso da maconha

O bafômetro da Hound Labs é capaz de detectar o uso recente da maconha 

OAKLAND — Enquanto a legalização do uso recreativo da maconha avança no mundo, cresce uma preocupação: o uso da droga antes de dirigir. De acordo com o Instituto Nacional de Abuso de Drogas dos EUA, o consumo da marijuana “prejudica significativamente o julgamento, a coordenação motora e o tempo de reação” dos motoristas, aumentando os riscos de acidentes. Pensando nisso, a start-up americana Hound Labs está desenvolvendo um bafômetro para a maconha, para que a questão possa ser resolvida como o consumo de álcool.

Hoje, existem testes que indicam se uma pessoa usou maconha nos últimos dias ou semanas, analisando vestígios de THC no sangue ou na urina. Mas nenhum é capaz de informar o uso recente, para determinar que a pessoa ainda está sob o efeito da droga e, por consequência, inapto a dirigir. Em testes clínicos realizados na Universidade da Califórnia em São Francisco, o equipamento da Hound Labs foi capaz de detectar o THC no ar expirado dos pulmões até duas e três horas após o consumo, o mesmo período apontado como o de restrição de direção por estudos conduzidos pelo governo americano.

A tarefa não era fácil, pois as moléculas de THC no bafo têm concentração extremamente baixa, de até um trilionésimo de grama por litro de ar.

— Nos nossos testes, descobrimos que o THC se move rapidamente do sangue para a respiração e aparece de forma consistente no bafo em concentrações muito baixas, por duas ou três horas — afirmou Kara Lynch, professora do Laboratório de Medicina da Universidade da Califórnia que conduziu os testes clínicos. — A capacidade de capturar o ar e medir concentrações tão baixas de moléculas representa um feito importante.

O experimento foi realizado com 20 voluntários, homens e mulheres usuários frequentes ou não da maconha, que sopraram no bafômetro nove vezes ao longo de três horas. Os resultados mostraram que o equipamento é capaz de detectar o THC nesta curta janela após o consumo, quando os usuários ainda estão sob efeito da droga. Não existe uma definição de tempo ou de quantidade de uso considerada segura para a direção, mas um relatório da Administração Nacional de Segurança Rodoviária cita a direção prejudicada por um período de duas ou três horas após o consumo.

“Apesar de o THC ser detectado no sangue muito tempo após a ingestão, os efeitos psicoativos da marijuana duram por meras horas, não dias ou semanas”, diz o relatório, enviado ao Congresso em 2017. “Níveis muito altos do THC indicam consumo recente, mas é muito improvável que um policial encontre um suspeito e obtenha uma amostra de sangue ou fluido oral num espaço de tempo tão curto para que os altos níveis sejam detectados. Como mencionado, o prejuízo à direção é observado por duas ou três horas após o fumo, e uma hora após o fumo o pico dos níveis de THC declina entre 80% e 90%”.

Por isso, a coleta de sangue ou saliva para determinar que uma pessoa está incapacitada para dirigir por causa da maconha é ineficaz. Exames podem indicar a presença de THC, mas não há quanto tempo a droga foi usada, se foi há uma hora ou há uma semana. A solução da Hound Labs pretende resolver a questão, detectando o THC apenas poucas horas após o consumo.

— Se uma pessoa tem (o THC) na respiração, isso significa que ela usou maconha nas últimas duas horas — afirmou Mike Lynn, diretor executivo da Hound Labs, em entrevista ao site Business Insider.

Agora, os planos da start-up são iniciar programas piloto ainda nesta ano com uma força policial e um sindicato de trabalhadores da construção civil na Califórnia.

Fonte: O Globo