Cigarro eletrônico: 7 respostas sobre mortes nos EUA, legislação, maconha e risco de doenças

Estados Unidos registraram 6 mortes e 450 casos de hospitalizações. Tendência é proibir cigarro eletrônico com sabor. No Brasil, comércio não é regulamentado.

As 6 mortes e os 450 casos de hospitalizações nos Estados Unidos em aproximadamente um mês aumentaram as dúvidas sobre o uso dos cigarros eletrônicos. Médicos e cientistas têm dúvidas sobre o que está causando os graves problemas pulmonares. Autoridades pedem que o uso do produto seja suspenso até que haja uma maior compreensão dos efeitos sobre o corpo humano.

Nesta reportagem, vamos responder as principais dúvidas sobre o tema

7 dúvidas sobre os cigarros eletrônicos:

  1. O que são os cigarros eletrônicos e quais os tipos?
  2. Esse tipo de cigarro é permitido no Brasil?
  3. Por que tanta preocupação nos EUA?
  4. Quais as medidas recentes tomadas pelos EUA?
  5. Há relação entre as mortes com o acetato de vitamina E e a maconha?
  6. Produtos com canabidiol apresentam risco?
  7. O que dizem as pesquisas mais recentes sobre o tema?

Veja, abaixo, as respostas:

1. O que são e quais são os tipos de cigarros eletrônicos?

Os cigarros tradicionais funcionam por combustão. Já os eletrônicos, por vaporização, e aparecem também na forma de “canetas” com um líquido interno. Utilizam bateria para evaporar uma mistura geralmente feita com álcool, água, glicerina, propilenoglicol e essências. Ele é uma espécie de dispositivo “vaporizador” de aromas, sabores e outros produtos químicos: álcool, glicerina e, na maioria deles, nicotina.

2. Esse tipo de cigarro é permitido no Brasil?

Embora o produto seja proibido no país desde 2009, sem nunca ter sido registrado por aqui, seu uso já é observado em várias cidades brasileiras. Em um parecer de 2017, a Anvisa informou que o cigarro eletrônico transmite uma falsa sensação de segurança ao fumante.

A “Food and Drug Administration” (FDA), a “Anvisa” norte-americana, ainda não determinou a regulação do produto e jogou essa resolução para 2022, algo que gerou muitas críticas internas. Mais de 9 milhões de pessoas fumam os e-cigaretts nos Estados Unidos, de acordo com o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) norte-americano.

A Anvisa justifica essa decisão com “a falta de comprovação científica sobre a eficácia e segurança do produto”, especialmente quando apresentado como instrumento para parar de fumar. Também está vetada a publicidade e a importação do produto.

3. Por que tanta preocupação nos EUA?

Autoridades de saúde pública dos EUA investigam 450 casos de doenças pulmonares relacionadas ao fumo de cigarros eletrônicos em 33 estados e um território norte-americanos.

Várias das doenças registradas podem ter relação com produtos contendo acetato de vitamina E, um óleo que pode ser perigoso se inalado. Entre esses componentes, estão derivados da cannabis.

4. Quais as medias recentes tomadas pelos EUA?

Uma das grandes preocupações é o uso do cigarro eletrônico por adolescentes e jovens adultos, muitos deles atraídos justamente pelo uso das essências que dão “sabor” à inalação. Segundo a FDA, mais de 3,5 milhões de adolescentes usam os vaporizadores. Pacientes examinados nos estados de Illinois e Wisconsin tinham idade média de 19 anos, e um terço do total era menor de 18.

A empresa Juul, que controla 70% do mercado de cigarros eletrônicos nos EUA, recebeu uma advertência da FDA nesta semana por usar em publicidade a ideia de que os novos produtos são mais seguros para a saúde do que os cigarros tradicionais. A empresa é alvo de críticas por campanhas que caem no gosto de adolescentes. O governo do presidente Donald Trump analisa proibir as essências justamente para tirar o apelo para o público jovem.

Um levantamento do IMARC Group apontou que o mercado foi avaliado em US$ 11,5 bilhões em 2018, com potencial de atingir 24,2 bilhões em 2024.

A tendência nos EUA é banir o cigarro eletrônico com sabor.

5. Há relação entre as mortes com o acetato de vitamina E e a maconha?

Os sintomas de pacientes que procuraram hospitais nos Estados Unidos se assemelham aos da pneumonia. Incluem dificuldade de respirar, febre, tosse e vômitos, além de dor de cabeça, tontura e incômodo no peito.

Uma das suspeitas sobre o crescente número de casos recai sobre o acetato de vitamina E, que foi encontrado em 34 vaporizadores analisados pelas autoridades de saúde do estado de Nova York. Entretanto, uma investigação do governo norte-americano não encontrou nenhuma ligação óbvia entre os casos registrados e produtos componentes dos cigarros eletrônicos.

Todos os objetos analisados tinham origem no mercado negro e foram usados com misturas líquidas que incluíam o THC (Tetraidrocanabinol), o que sugere um problema na combinação do acetato de vitamina E com o componente ativo da maconha.

6. Produtos com canabidiol apresentam risco?

Essa é uma hipótese e não estão descartados os perigos do uso desse composto com a nicotina, em vez de produtos à base de cannabis. Outros compostos químicos também investigados são a glicerina e o propilenoglicol presentes nos ingredientes da mistura líquida vaporizada, usados para o processo de aquecimento ou para enfatizar os “sabores”.

Também são analisadas outras substâncias que ajudam a dar viscosidade à mistura líquida e as partículas de metal que os cigarros eletrônicos liberam. Em resumo: cientistas estão, no momento, tateando, recolhendo evidências e informações para ter uma ideia melhor do que está ocorrendo.

7. O que dizem as pesquisas mais recentes sobre o tema?

Estudos realizados nos EUA com os cartuchos utilizados nos “e-cigarros” demonstraram que, em muitos deles, de variadas marcas, havia substâncias não especificadas, potencialmente tóxicas ou cancerígenas, e com concentrações duvidosas, que poderiam ser deletérias para a saúde das pessoas.

De acordo com a “American Heart Association” (Associação do Coração dos EUA), os diferentes sabores dos e-cigarros tendem a incentivar um maior consumo desse produto e levar ao vício. Usuários da vaporização com essências disseram aos pesquisadores que se sentiam mais viciados à prática do que aqueles que não usavam nenhum produto extra.

Outro estudo dessa associação relacionou o consumo de cigarros eletrônicos ao aumento do risco de doenças cardiovasculares como o infarto. Já pesquisadores da Universidade da Pensilvânia (EUA) alertaram para os riscos da vaporização para o sistema circulatório, registrando danos aos vasos sanguíneos.

O CDC recomendou que usuários fiquem atentos a sinais como dores no peito e falta de ar. Há também o reforço de autoridades para que não sejam comprados aparelhos e compostos líquidos “na rua” ou que tenham sido modificados. “Receitas caseiras” encontradas no YouTube para melhorar a vaporização também são desaconselhadas até que os problemas sejam esclarecidos.

Fonte: G1, Bem Estar