Em Live, Senapred lança três cartilhas sobre cuidados e prevenção às drogas

Uma das publicações reúne orientações sobre enfrentamento ao tabagismo, outra trata do manejo de casos complexos de dependência e a terceira reúne argumentos contrários à legalização da maconha

Na manhã desta sexta-feira (12.03), a Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas do Ministério da Cidadania realizou uma Live com especialistas na Universidade Federal de Santa Catarina e da Universidade Federal de São Paulo para realizar o lançamento de três cartilhas que reúnem informações estratégicas sobre o combate às drogas e aos efeitos do tabagismo no país.

O evento reuniu o secretário nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas do Ministério da Cidadania, Quirino Cordeiro, o Secretário de Educação a Distância da Universidade Federal de Santa Catarina, Luciano Patrício Souza, além de três representantes da Unidade Federal de São Paulo: o coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, Ronaldo Laranjeira, e os professores afiliados de Psiquiatria Cláudio Jerônimo da Silva e Sérgio Marcília Duailib.

As cartilhas abordam três temas considerados essenciais no universo da prevenção às drogas e tratamento da dependência química. A primeira chama-se “Parar de Fumar, um Guia de Auto-Ajuda”. A segunda publicação foi batizada de “Estratégias para o Gerenciamento de casos complexos de dependência química”. A terceira tem como título “Argumentos contra a legalização da maconha”. As três são assinadas por Ronaldo Laranjeira, Sérgio Duailibi e Cláudio Jerônimo da Silva, e produzidas em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina.

      

“Foi muito interessante participar desse trabalho. É uma caminhada em que você se atualiza. Reunimos algumas coisas que funcionam para a pessoa parar de fumar, por exemplo. Inclusive estamos vivendo um período de pandemia e o tabagismo interfere no prognóstico de doenças, inclusive da Covid. Por isso, entendo que a cartilha vem em boa hora, com dicas para o próprio usuário e dicas de como buscar ajuda. Tudo em linguagem acessível, mas com base em evidências”, afirmou Cláudio Jerônimo da Silva.

“No caso do manejo de casos complexos, esse é um tema muito importante para as famílias. Elas são sempre impactadas com o uso de substâncias pelos familiares. Tomam as decisões nos momentos mais críticos. Mostramos ali a importância de haver um método de gerenciar esses episódios e informamos sobre a importância da busca de um profissional que ajude no manejo desses casos”, completou Jerônimo.

Segundo Sérgio Duailibi, a cartilha com argumentos contrários à legalização da maconha é um documento importante porque “o lobby da legalização é profissional”. “Era importante a gente poder estabelecer contrapontos. É uma oportunidade de mostrarmos os problemas que poderão advir da legalização da maconha no território nacional”, disse.

 

Transferência de tecnologia

Com mais de 25 anos de experiência clínica e em estudos sobre o tema, o professor Ronaldo Laranjeira acredita que os três temas abordados nas cartilhas estão entre os mais importantes e define o processo de produção das publicações como uma “transferência de tecnologia”.

“Nós na universidade buscamos o aperfeiçoamento constante nessa área. Não tem um dia em que não fiquemos lendo artigos e estudos. Tentamos estar em sintonia com tudo o que é produzido mundo afora. Ficamos felizes de colaborar. Estávamos ávidos para passar isso para a população”, afirmou. “Achamos mesmo que a legalização, com o acesso à maconha mais barata e mais forte, produziria um custo social muito grande”, disse.

De acordo com ele, entre as falácias elencadas pelos que defendem a legalização estão a falsa impressão de que a maconha não causaria dependência e a opinião de que a legalização ajudaria a acabar com o crime organizado. “É um argumento de uma ingenuidade criminosa”, disse Laranjeira. “Não há experiência no mundo de legalização que corrobore isso. Em muitos lugares o crime organizado só aumentou após a legalização da maconha”, explicou.

Sérgio Duailibi complementa explicando que a legalização ampliaria o consumo e que haveria uma dificuldade grande de controlar o acesso à droga entre os adolescentes. “Quanto maior o acesso, maior o consumo. E hoje já temos uma grande dificuldade de controlar o álcool e o cigarro entre os adolescentes. Haveria certamente uma dificuldade adicional com a maconha”, ponderou.

Segundo Luciano Patrício, a implementação de políticas públicas acertadas e eficientes se faz com informação engenhosa e verificada. “Nesse sentido, o governo e a academia têm funções complementares e fundamentais. Principalmente na questão da capilaridade para obter essas informações e garantir a aplicação de políticas dentro de cada campo em todo o território nacional”, afirmou.

Segundo ele, a grande contribuição da academia é usar o saber científico para compilar e analisar dados, entender significados e informações, debater hipóteses e, a partir daí, formular teorias que corroboram ou propõem políticas.

Para o secretário Quirino Cordeiro, as publicações reforçam o esforço do Governo Federal em construir pontes e parcerias qualificadas com o ambiente acadêmico, para que as políticas públicas de prevenção às drogas sejam sempre tratadas com seriedade e pautadas em evidências. “Queria agradecer a todos os que participaram e ao Governo Federal, que encampou a pauta das drogas em busca da defesa da sociedade brasileira. Fico bastante contente em fazer parte desse momento e termos essas parcerias tão importantes”, concluiu.

Diretoria de Comunicação – Ministério da Cidadania

Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas

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