Seminário virtual pelo Dia Mundial sem Tabaco alerta para riscos do comérico de cigarro eletrônico

Proibição à venda de produto e defesa de abordagem mais ativa dos profissionais de saúde contra o tabaco são destaques em webinar do INCA

Os países que liberaram a comercialização de cigarros eletrônicos viram um aumento significativo da dependência de nicotina entre crianças e adolescentes. Por essas e outras razões, o seminário virtual (webinar) “Comprometa-se a parar de fumar”, defendeu a proibição da venda do produto no Brasil. O evento foi promovido pelo INCA e pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) em comemoração ao Dia Mundial sem Tabaco (31 de maio), data oficial da Organização Mundial da Saúde (OMS), que tem na frase “Comprometa-se a parar de fumar” o tema deste ano.

O risco de iniciação ao tabagismo também é significativamente maior entre usuários de cigarro eletrônico, e a liberação da comercialização desses dispositivos pode representar uma ameaça para as políticas de saúde pública no Brasil. Essa conclusão está no estudo Risco de iniciação ao tabagismo com o uso de cigarros eletrônicos: revisão sistemática e meta-análise, elaborado por pesquisadores do INCA e publicado na revista Ciência e Saúde Coletiva. A pesquisa fez uma revisão sistemática com meta-análise (síntese estatística) de estudos longitudinais (técnica que permite aos pesquisadores estabelecer uma sequência coerente dos dados) em 25 estudos desenvolvidos em vários países para avaliar a associação entre uso de cigarros eletrônicos e iniciação ao tabagismo.

Detalhado no webinar, “o estudo mostrou que o uso de cigarros eletrônicos aumentou em quase três vezes e meia o risco de o indivíduo experimentar o cigarro convencional, e em mais de quatro o risco de passar a utilizar, posteriormente, cigarro convencional”, enfatizou a coordenadora de Prevenção e Vigilância do Instituto, Liz Almeida e uma das autoras da pesquisa.

Durante o evento, a secretária executiva da Comssão Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco no Brasil (Conicq), a médica Tania Cavalcante, lembrou que o fumo é responsável por 162 mil mortes por ano no País e o principal alvo dessa indústria são crianças e adolescentes. “Vinte e três por cento do valor gasto com a Covid-19 em 2020 é o que o País gasta todos os anos no tratamento do tabagismo”. A médica, que está à frente da Conicq desde 2005, foi premiada pela OMS: o prêmio “Dia Mundial sem Tabaco nas Américas” concedido pela Organização em reconhecimento aos serviços prestados à política de controle do tabaco. “Este é um prêmio coletivo, que envolve muitos saberes de várias equipes”, disse ela.

Já na apresentação do seminário, o consultor nacional da Unidade Técnica de Determinantes da Saúde, Doenças Crônicas Não Transmissíveis e Saúde Mental da Opas, Diogo Alves, disse que “as evidências nos apontam que o tabagismo aumenta a incidência de Covid-19”, ou seja, neste momento, “enfrentamos duas pandemias, a da Covid e a do tabagismo”.

A coordenadora-geral de Vigilância das Doenças e Agravos Não Transmissíveis do Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde, Patrícia Oliveira, e o coordenador-geral da Ouvidoria-Geral do Sistema Único de Saúde do Sistema Único de Saúde, Sergio Akutagawa, acentuaram a parceria com o INCA no combate ao tabagismo.

“O tabaco mata seis em cada dez de seus usuários”, lembrou a diretora-geral do INCA, Ana Cristina Pinho. “Tabaco é uma droga, e tabagismo é uma doença”, enfatizou.

“A indústria do tabaco aposta nas fragilidades humanas, aposta na desinformação”, disse Vera Borges, da Divisão de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco do INCA, ao apontar algumas estratégias de marketing da indústria tabageira no debate “Abordagem mínima ao fumante: uma estratégia ao alcance de todos”, realizado como parte do webinar e mediado por Luanna Bernades, jornalista da rádio BandNewsFM. Vera Borges disse que o ideal é que qualquer profissional de saúde em qualquer avaliação do paciente dedique de três a cinco minutos para questionar se ele fuma ou não e se gostaria de parar.

“Não é difícil encontrar gestantes que têm o hábito de fumar”, disse o enfermeiro Jetro Medeiros Pereira, representante do programa Estratégia de Saúde da Família da Secretaria Municipal de Saúde de Campos Goytacazes (RJ). Mas, a maioria, continuou, costuma reagir bem ao tratamento. Ele explicou que as estratégias de um plano para deixar o tabaco, uma vez que haja receptividade à abordagem do profissional de saúde, são construídas junto com o (a) usuário (a).

A chefe da Divisão de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco do INCA, Andréa Reis, que apresentou o webinar, mostrou as peças da campanha, que vai se estender pelo ano inteiro, do Dia Mundial sem Tabaco.  Assista a íntegra do evento na TV INCA.

Fonte:INCA – Instituto Nacional de Câncer, Ministério da Saúde