Faixa etária afeta riscos associados ao consumo de álcool

Riscos do consumo de álcool variam de acordo com a idade, sendo maiores para os jovens de acordo com estudo da The Lancet.

 

A relação entre o uso moderado de álcool e a saúde é complexa, como demonstrado em vários estudos. O consumo de álcool em qualquer nível está associado à perda de saúde em função de várias doenças, incluindo cirrose hepática, câncer de mama e tuberculose, bem como lesões. Ao mesmo tempo, alguns estudos descobriram que o consumo de pequenas quantidades de álcool pode reduzir o risco de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2.

Em princípio, a quantidade de álcool que minimiza o impacto negativo na saúde depende de uma série de fatores, principalmente do perfil de doenças presentes em uma determinada população. Uma vez que essa distribuição varia amplamente por geografia, idade, sexo e tempo, o nível de consumo de álcool associado ao menor risco à saúde dependeria da estrutura etária e das doenças mais presentes dessa população. Em outras palavras, o uso de álcool está associado a diversos riscos para a saúde, mas as relações causais entre seu uso e os riscos de desenvolver doenças e de mortalidade são difíceis de estabelecer, na medida em que existem diversas variáveis, ligadas ao estilo de vida, local de moradia, idade, sexo, status socioeconômico e doenças mais prevalentes que podem interferir na relação, tornando difícil isolar o papel do álcool nos resultados de saúde, muito embora seja evidente que este impacto exista.

Neste estudo, usou-se a distribuição de causas de anos de vida perdidos ajustados por incapacidade (DALYs) em cada população, juntamente com os padrões de consumo de álcool do Estudo Global de Carga de Doenças, Lesões e Fatores de Risco (GBD) 2020, para estimar o nível teórico mínimo de exposição ao risco (TMREL), que representa o nível de consumo que minimiza a perda de saúde por álcool para uma população, e o nível de equivalência de não bebedor (NDE), que mede o nível de consumo de álcool em que o risco de perda de saúde de um bebedor é equivalente ao de um não bebedor para cada região, faixa etária, sexo e ano de 1990 a 2020.

No geral, resultados mostraram que o TMREL permaneceu baixo independentemente da geografia, idade, sexo ou tempo, variando entre 0 (95% UI 0–0) e 1,87 (0,500–3,30) doses padrão por dia. O TMREL e o NDE não variaram significativamente por sexo ou ano, mas sim por região e idade, com grupos etários mais jovens tendo níveis muito mais baixos do que os adultos mais velhos. Isso significa que os jovens enfrentam maiores riscos para a saúde decorrentes do consumo de álcool do que os adultos mais velhos, e que os riscos também são maiores a depender de onde se reside. Em todas as macrorregiões, entre indivíduos de 15 a 39 anos, as lesões representaram a maioria dos DALYs relacionados ao álcool em 2020. Em indivíduos com idade entre 40 e 64 anos, os resultados de saúde que contribuem para a carga relacionada ao álcool mudaram para condições crônicas de saúde, incluindo doenças cardiovasculares e câncer. Por essa razão, a pesquisa recomenda que haja diferenciação das diretrizes de consumo moderado conforme a idade, sendo menores para a faixa etária de 15 a 39 anos.

De forma geral, o estudo conclui que as recomendações de consumo de baixo risco são ainda altas para as populações mais jovens e que não há evidências para diferenciação delas por sexo. Dadas as conhecidas dificuldades associadas à tradução de evidências científicas em mudanças no comportamento dos bebedores, mensagens claras sobre as atualizações das diretrizes de consumo serão cruciais para garantir que as melhorias sejam realizadas.

  • Referências:

    GDB 2020 Alcohol Collaborators (2022). Population-level risks of alcohol consumption by amount, geography, age, sex, and year: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2020. The Lancet. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(22)00847-9

Fonte:CISA – Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool