Droga 50 vezes mais viciante que heroína, chega ao Brasil e preocupa especialistas

O opioide sintético Fentanil se tornou uma preocupação no Brasil, depois que a droga foi apreendida recentemente no Espírito Santo. O anestésico foi criado para uso hospitalar, mas rapidamente ganhou as ruas em países como EUA e Canadá.

A preocupação dos especialistas não é à toa. Segundo a Administração de Repressão às Drogas dos EUA, o fentanil é cerca de 50 vezes mais potente que a heroína e 100 vezes mais do que a morfina, fármacos semelhantes desenvolvidos com fins medicinais que passaram a ser utilizados de forma ilegal. Nos dois países da América do Norte, o uso é tão frequente que desencadeou uma crise conhecida como “epidemia dos opioides”, que acumula mais de 500 mil mortos nos últimos 20 anos. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de doenças dos EUA (CDC), somente em 2021, ano mais recente do monitoramento, foram aproximadamente 106 mil mortes por overdose. Destas, cerca de 67% (71 mil) delas foram associadas ao Fentanil. Já pela cocaína, para comparação, foram 24 mil vítimas; e pela heroína, menos de 10 mil.

” Essa epidemia de opioides começou há cerca de 20 anos quando a indústria farmacêutica lançou o OxyContin (nome comercial da oxicodona, um dos primeiros opioides a se popularizar) e inundaram o mercado. Isso aumentou muito o consumo e, com isso, depois veio o surgimento dos opioides sintéticos, criados artificialmente em laboratórios, mais poderosos e muito mais fatais”. explica o psiquiatra Ronaldo Laranjeira. A polícia acredita que a substância seria usada para intensificar o efeito de substâncias como ecstasy e a cocaína. Quando prescrito legalmente, o Fentanil pode tratar a dor severa e pode ser administrado com uma injeção, adesivo ou pastilha. Ilegalmente, a droga é frequentemente usada como pó, pingada em papel ou usada em conta-gotas ou transformada em pílulas. “Estaremos perdidos se esta droga vier para o Brasil, pois já não conseguimos sequer controlar a cocaína e o crack”, concluiu Dr. Laranjeira.

Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas

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