Artigos

Polcia Federal evita tratar xi como novidade para no fazer propaganda da droga  Artigos sobre drogas e alcool - Site Antidrogas


UOL
Enquanto as apreenses de xi se espalham pelo Brasil, a Polcia Federal evita tratar a droga como novidade, ainda que na receita do entorpecente constem ingredientes diferentes dos encontrados no crack.

O temor, apurou o UOL Notcias junto a agentes da Polcia Federal, que a caracterizao do xi como nova droga estimule o seu consumo e a sua popularizao, alm de aguar a curiosidade de usurios de outros entorpecentes, como aconteceu com o crack nas duas ltimas dcadas.

No campo cientfico, peritos da PF afirmam que as pesquisas feitas com amostras de xi apreendidas nas ruas de Rio Branco, no Acre, por onde a droga entrou no pas, no apresentaram elementos suficientes para caracteriz-la como diferente do crack, do merla ou da pasta base da folha de coca.

"O xi um derivado da cocana, assim como o crack. No uma droga nova, a mesma cocana apresentada de outra forma", afirma Oslain Santana, coordenador da represso a entorpecentes da Polcia Federal.

Peritos da PF iniciaram nessa tera-feira (17), pela primeira vez, uma srie de anlises detalhadas de exemplares de xi. As pesquisas devem terminar no final deste ms. Ao final dos testes, os peritos apresentaro uma concluso tcnica se o xi pode ou no ser considerado uma droga nova.

A pasta base da folha de coca, obtida nos pases andinos (Bolvia, Peru, Colmbia e Equador), a matriz da cocana em p (cloridrato), crack, merla e tambm do xi. A pasta obtida a partir da mistura da planta triturada com componentes txicos, como cido sulfrico, cal, cimento, entre outros componentes txicos.

No xi, a pasta base misturada com algum combustvel -querosene, gasolina ou gua de bateria (cido sulfrico) e cal virgem, componentes corrosivos e extremamente danosos ao organismo-, enquanto que no crack aplica-se bicarbonato de sdio e amonaco ou ter, componentes mais caros do que os usados no xi.

A percia diz que os mesmos produtos que podem ser aplicados na transformao da pasta base em xi j so utilizados no processo anterior, de obteno da pasta a partir da folha de coca. Dessa maneira, os peritos apontam que h muitas semelhanas entre o xi e a pasta base, o que desbancaria a tese do xi como droga nova. Santana afirma que os danos e efeitos do xi no organismo do usurio no diferem muito dos causados pelo crack e que no h estudos comprovando que o xi mais devastador.

No entanto, de acordo com o psiquiatra Pablo Roig, diretor de uma clnica particular de recuperao de drogados, o xi mais letal que o crack por duas razes. Primeiro, por conta dos componentes adicionais --cal e combustvel. Alm disso, em razo da quantidade do princpio ativo da cocana, que no xi de 60% do composto, um pouco superior ao encontrado no crack.

Alm disso, segundo ele, a maioria dos usurios de xi intercala as inaladas com doses de lcool para controlar a sensao de abstinncia causada pela droga, o que ataca o fgado e o sistema digestivo, fazendo com que os usurios tenham diarreia e vmito. Muitos usurios de xi apresentam aparncia amarela por conta dos efeitos da droga no fgado.

"O lcool com a substncia da cocana forma o cocaetileno, que pode provocar esteatose heptica (gordura no fgado) e cirrose. O cocaetileno tambm txico para o miocrdio, o que pode tambm provocar morte sbita", afirma Roig.
Em 13 Estados e no DF

At o final de abril, havia registros de ocorrncia do xi em 10 Estados --Acre, Amazonas, Par, Amap, Rondnia, Gois, Pernambuco, Mato Grosso do Sul , Piau, So Paulo-- e no Distrito Federal. Nas ltimas duas semanas, a droga se espalhou para Paran, Bahia e Rio Grande do Sul. Em So Paulo, at o incio do ms no havia ocorrido apreenses de xi. De l para c, foram pelo menos cinco, a maior delas na segunda-feira (16), quando 5.000 pedras de xi foram encontradas na favela de Helipolis, na zona sul da capital.

De acordo com Santana, a PF no pretende colocar em prtica operaes especficas de combate ao xi, que entra pelo Brasil a partir das fronteiras com Peru, Bolvia e Paraguai. "No tem como voc planejar uma operao especfica. Manteremos uma atuao de fiscalizao nos postos de fronteira e continuaremos com um trabalho ostensivo em toda a fronteira", disse.

Ele afirma que a PF prioriza suas aes contra o trfico atacadista, o que, segundo ele, traz resultados mais eficientes, e que cabe s polcias civis a represso ao trfico no varejo, forma predominante na distribuio do xi.

O Ministrio da Justia e a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) ainda no se posicionaram oficialmente sobre o xi, nem tm previstas aes ou campanhas contra a droga. O Ministrio da Sade no tem dados sobre internaes de usurios de xi no SUS (Sistema nico de Sade) ou nas unidades do Caps (Centros de Ateno Psicossocial).

Para o jurista e professor Walter Maierovitch, o Estado brasileiro est demorando para agir contra o xi. "Na Europa, assim que surge uma droga, eles acendem um sinal de emergncia e se mobilizam para impedir a expanso. No Brasil, esto esperando o xi sair do controle para levantar o sinal de emergncia. Est na hora de acender a luz, traar polticas nos trs nveis de governo para conter o avano da droga", aponta.
Fonte:ABEAD(Associao Brasileira de Estudos do lcool e outras Drogas)







Publicidade








Apoio

Toldos Campos
Toldos - Paineis - Adesivos





Mauricar
Dando mais sade vida de seu veculo



Copiadora Campos
Art & Design